segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sete saudosas coleções de livros

Coleção Vaga-Lume

Difícil encontrar quem já não tenha lido pelo menos um desses livros. A Coleção Vaga-Lume conseguiu a façanha de ao mesmo tempo lançar títulos de alta qualidade com autores consagrados e ser uma leitura agradável para o público infanto juvenil. Os gêneros variavam: aventura, drama, suspense, ficção científica, mas os que faziam mais sucesso eram os romances policiais. Quem não ficava com um frio no estômago com aqueles crimes misteriosos, cujos finais nos deixavam de boca aberta? Meu autor preferido era Marcos Rey e um dos volumes que mais me marcaram foi o Mistério do Cinco Estrelas, que reli há algum tempo e me deliciei quase que como da primeira vez. Lançada a partir de 1972 a coleção se destacava pelas capas que não economizavam nas cores, com semblantes de traços marcantes e imagens fora de quadro. E aquele encartezinho, que a gente não resistia e lia antes do livro, mesmo correndo o risco de spoilers! Foram mais de setenta títulos e para comemorar os cinquenta anos da editora, serão relançadas dez obras da coleção.


Para Gostar de Ler

Foi uma série de coletânea de crônicas destinadas ao Ensino Fundamental que, surpreendentemente, se transformou num sucesso de vendas. A coleção surgiu de uma conversa informal do editor Jiro Takahashi com o cronista Rubem Braga, sobre o fato de suas obras serem tão aplicadas e bem aceitas nas escolas, mas não serem necessariamente sucesso de vendas. Veio então a ideia de uma coletânea. Quem escolheu as crônicas e os autores do primeiro volume foi um grupo de professores. A intenção não era didática e sim oferecer exatamente o que o título da série propunha: fazer as crianças tomarem gosto pela leitura. E deu tão certo que muitos leitores assíduos hoje em dia,tiveram seu primeiro contato com grandes autores através desta coleção. Segundo Jiro Takahashi o projeto foi uma “uma loucura saudável”, afinal livros de crônicas não vendiam. Não vendiam até surgir a coleção Para Gostar de Ler. Foram mais de 30 edições com nomes como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Carlos Drummond de Andrade.


Mestres do Horror e da Fantasia

Na Av. São João, em São Paulo, no início dos anos 2000 havia uma livraria da editora Francisco Alves que eu visitava com frequência. Na época meu interesse era em livros policiais, por isso, não dava muita bola para os livros de terror da Coleção Mestres do Horror e da Fantasia que havia em algumas bancadas. Havia vários títulos de Stephen King. E meu arrependimento foi não tê-los adquirido, pois os valores eram irrisórios, a livraria era uma queima de estoque da editora e certamente muitos livros que hoje são raros e pelos quais eu pagaria um dedo, estavam ali, na minha frente, novos e a preço de banana. Não só de King, mas de outros autores da coleção que, lançada no início da década de 80, estreou com ninguém menos do que Eu Sou a Lenda de Richard Matheson. Numa época em que fervilhavam escritores de terror, ainda pegando carona no grande sucesso que esse gênero fez nas duas décadas anteriores, tanto na literatura como no cinema, a Francisco Alves viu que esse nicho de leitores procurava novos autores para saciar sua sede de sangue e foi ágil em servir de orientadora, apresentando autores já consagrados lá fora, que ainda não eram sucesso comercial aqui. Dessa forma, Peter Straub, Ray Bradbury, Thomas Luke e até Tabitha King (a esposa de Stephen King) tiveram seus títulos mais expressivos lançados nessa coleção. Mas também havia espaço para os autores clássicos, como Sir Arthur Conan Doyle, Oscar Wilde e H.G. Wells. Mas a grande estrela da coleção foi Stephen King. No total de 49 títulos, 20 eram dele. Seja como autor, co-autor ou assunto, como no caso do Dissecando Stephen King, uma obra fascinante a respeito de seu método criativo.


Horas em Suspense

Como disse acima, o que me fazia bater ponto na Livraria Francisco Alves não eram os livros de terror e sim o da maravilhosa coleção Horas em Suspense. Os títulos tinham o preço fixo de R$ 5,00 e tinha o melhor, e também o pior, da literatura policial. Assim como lançavam livros de Ruth Rendell, Ngaio Marsh, Warren B. Murphy, também nos empurravam autores totalmente desconhecidos e muito ruins. Mas eram exceção. A maioria dos autores lançados na coleção hoje não são sequer lembrados, mas fizeram a história da literatura policial e todo fã do gênero deveria conhecê-los. Quanto a novos talentos, um grande destaque foi Fran Dorf, com o excelente Uma Certa Loucura. Uma obra surpreendente, com enfoque psicológico, conduzida com maestria pela autora em seu livro de estreia, que acredito ter sido o único. Mas quem mais apareceu entre os títulos foi Edgar Wallace, autor que fez muito sucesso nos anos 30, com suas histórias policiais ágeis, personagens rasos como um pires e reviravoltas espetaculares. Edgar, que também foi roteirista e escreveu o enredo do primeiro King Kong, não estava nem aí em fazer literatura de qualidade, queria mesmo era render emoção ao público e vender seus livros como água, o que conseguiu. Não tenho ideia de quantos livros foram lançados na coleção, mas eles me renderam realmente muitas horas em suspense. 

Alfred Hitchcock Apresenta

Minhas 13 Histórias Favoritas De Suspense, um dos títulos dessa série, foi meu primeiro livro de mistério voltado para o público adulto. Lembro que havia acabado de descobrir o setor circulante da biblioteca pública, quando me deparei com essa coletânea e fiquei alucinado para lê-la. Já conhecia Hitchcock de nome, como diretor e ler uma seleção de contos escolhida por ele seria pura adrenalina. E não me decepcionei. Depois desse volume fiquei viciado na coleção e li todos os que encontrava na biblioteca, até ter dinheiro para comprar os meus. E os prefácios! Hitchcock derramava sua ironia mórbida nas apresentações dos volumes, adiantando algumas informações sobre os contos e assim, nos instigando. Mas essa coletânea tinha um grande problema. Não eram as capas horrendas, isso dá pra relevar. Mas era a baixa qualidade de alguns livros. Muitos deles, principalmente os mais recentes, do final da década de 70 em diante não cumpriam nem um décimo do que prometiam em seus títulos assustadores, pois não davam medo. Não eram histórias de terror e nem mesmo boas obras de suspense e sim contos policiais repetitivos. Os mais antigos, da década de 60, lançados pela editora Globo, também não recomendo, pois foram lançados com a tradução de Portugal, o que torna a leitura enjoativa demais. Somente quando passaram a ser lançados pela Record é que foram traduzidos aqui. Portanto, se querem sentir muito medo, entrarem em mundos fantásticos e se surpreenderem com desfechos totalmente inesperados, comprem os de 1970 a 1978, no máximo. Até porque se Hitchcock morreu em 1980, como pode ter lançado seleções de contos até 1984, não é?


Super Sellers

Lançada a partir de 1996 pela editora Altaya, a coleção Supersellers se destacava pelo excelente acabamento dos exemplares numa coleção de banca de jornal. A capa era dura, as ilustrações discretas, pelo menos para a época e o papel era algum antepassado do pólen, com a mesma qualidade, porém um pouco mais quebradiço. O preço era outro atrativo. Custava R$ 10,00 e trazia os granes bestsellers mundiais. No lançamento, o valor foi de R$ 5,00 cada volume, já que eram dois livros por R$ 10,00. Lançou logo de cara Nada Dura Para Sempre, sucesso recente de Sidney Sheldon , vendido junto de Caçada ao Outubro Vermelho de Tom Clancy, que era o mal necessário do pacote. Só podia levar os dois juntos. Nada contra Tom Clancy, mas geralmente o público que lê Sidney Sheldon não é chegado em technotrillers. Não sei quantos livros foram lançados, mas foram mais de trinta, já que tenho uma edição de Uma Prece Para Danny Fisher, numerada como volume 36. E era disso que a coleção tratava, bestsellers como Harold Robbins, Thomas Harris, Danielle Steel e Robin Cook. Vale a pena cavoucar nos sebos e comprar alguns volumes, pois são belíssimos e fazem a maior presença na estante. Além do que mergulhar de vez em quando nesses mega sucessos antigos tem um delicioso sabor vintage.



Supertítulos

Mais uma coleção de banca, mas desta vez, era obrigado a levar um jornal junto. Não me lembro dos valores exatos, mas os volumes custavam cerca de R$ 3,50 cada + o Estadão do dia. Mais uma vez estrearam com Sidney Sheldon, com o clássico Um Estranho no Espelho, sendo seguido por  Agatha Christhie e Harold Robbins. Espertos né? A coleção era pequena, doze volumes, composta de livros bem fininhos. Algumas edições eram tão esquálidas que a impressão que se dava era a de que se tratava de uma edição cheia de cortes, mas não era o caso. Eram textos integrais, apenas escolhiam o menor livro de cada autor. Mas a escolha dos escritores foi primorosa. Tivemos autores de peso entre os "fazedores" de bestsellers como Patrick Suskind, John Le carré, Morris West e Frederick Forsyth. O papel era de qualidade inferior, sem orelhas e tinha aquele Estadão bem na capa, só pra estragar, mas também, como dizia a propaganda da época: mais barato que isso, só indo na biblioteca pública.. a pé.

21 comentários:

  1. Tenho O Poderoso Chefão dessa edição dos Super Sellers. Acho d+!!! 💕💕💕

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  2. Meus livros preferidos foram da Coleção Vagalume, li vários na escola onde estudei em minha infância e adolescência, meu autor preferido, Marcos Rey com em Garra de Campeão. Tive que contar essa estória de trás para frente. Saudades da adolescência.

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  3. A Coleção Vaga-lume que saudade, apesar de não ter vivido o auge dessas coleção citadas tenho um grande apego por elas. Tenho algumas dicas de coleção saudosas tem a coleção os melhores de suspense lançada pela editora Nova Cultural, e também tem o saudoso círculo do livro.
    estantepolicial.blogspot.com.br

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    1. A Círculo era ótima, mas ainda pretendo fazer uma matéria exclusiva sobre esse clube literário.

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  4. Que matéria espetacular, Ronaldo! Valeu por me fazer voltar no tempo! Excelentes coleções estas da Vagalume e Para Gostar de Ler. Do Marcos Rey eu gostei também, -além do Sozinha no Mundo e do O Mistério...,- do Um Cadáver Ouve Rádio, mas os que mais me marcaram foi A Ilha Perdida (Mª José Dupré), O Escaravelho do Diabo (Lúcia Machado) e o Menino de Asas (Homero Homem). Agora, Sidney Sheldon é campeão! Curto todos, em especial O Outro Lado da Meia Noite e O Reverso da Medalha! E as histórias do Hitchcock, simplesmente fenomenais!

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    1. Obrigado, Ricardo, realmente A Ilha Perdida é incrível. Que bom que você se identificou com o post. Tempos que não voltam mais.

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  5. Muito legal seu blog. No meu tb tenho alguns resumos de livros que li.

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    1. Coloque aqui o link de seu blog para eu conhecer, Moniquita.

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  6. Alfred Hitchcock.... Tenho vontade de ler um livro dele.

    Seguindo =)

    http://bravuraliterariablog.blogspot.com.br/

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    1. Na verdade ele selecionava os contos, mas geralmente suas escolhas eram muito boas.

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  7. Das coleções citadas, só conheci a Vaga-Lume. Inesquecível! Marcou minha infância e adolescência. Também adorava os livros do Marcos Rey. Tenho vários livros preferidos dessa série: "O caso da borboleta Atíria", "O escaravelho do Diabo", etc...

    www.meuslivrosesonhos.blogspot.com.br

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    1. Uma coleção primorosa, acho difícil que atualmente consigam fazer algo parecido.

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  8. Oi
    legal a sua matéria
    Dessas coleções eu conheço a "Vagalume"e "Para gostar de ler..."ambas da Atica, se não me engano .Amava os livros de Marcos Rey ♡
    Só "Sozinha no mundo"que é a foto que vc colocou em destaque eu li 5 vezes
    Bjs

    nasuaestantebokks.blogspot.com

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  9. Olá Ronaldo!!! Adoro um livro da coleção vagalume que se chama "Escaravelho do Diabo"... nunca mais vi em lugar nenhum, mas foi uma leitura que me marcou e me fez gostar mais ainda de suspenses. Já leu esse?

    Abraço!

    http://eventualobradeficcao.blogspot.com.br/

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  10. Eu amo a coleção vaga-lume, de paixão. Meu primeiro livro dela foi " A Grande Fuga " que achei o máximo. Marcos Rey deve ser meu autor brasileiro favorito e creio que meu favorito foi "Doze Horas de Terror", embora "O Mistério do Cinco Estrelas" tenha sido meu primeiro livro dele e primeiro amor também, kkkkkkkkkk. Tem ainda outros livros excelentes como "O Escaravelho do Diabo" e "Spharion" na coleção! E tem também aqueles que não são tão bons como "A Turma da Rua Quinze" que foi meio ingênuo e infantil, com personagens pouco delineados e aprofundados e uma história que demora a engatar, mas como foi o primeiro romance infanto-juvenil do autor, dá pra entender. Ou mesmo o próprio Marcos, com o seu "Um Rosto no Computador" que tem um ritmo tão rápido que até assusta, foi o que eu menos gostei com a turma do Leo, Gino e Ângela.

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  11. Legal se tu pudesse listar todos os títulos. Difícil achar essa informações.

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    1. É verdade, até porque na época de muitas dessas coleções não havia internet.

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