domingo, 7 de junho de 2015

Lugares Escuros - Resenha






                                                                  Sinopse

 Libby tinha apenas sete anos quando sua família foi assassinada, sobrevivendo apenas ela, seu pai e seu irmão, acusado do crime. Anos depois Libby se envolve com um grupo de fanáticos que se dedicam analisar e colecionar souveniers de casos como esse. à medida que a jovem revolve objetos de seu passado para vender a esse pessoal, ela começa a ver o caso por outro prisma e investigar o  que realmente aconteceu. Porém, remexer no passado pode ter consequências perigosas.

                                                                 Resenha

O maior atrativo em Lugares Escuros, sem dúvidas é a personagem principal, Libby Day. Mas o que é mais curioso, é que a personagem não tem nada do que se espera de uma heroína. É uma parasita que vive do seguro social, algo muito mal visto nos Estados Unidos, é mal humorada, não é descrita como bela e além de tudo é cleptomaníaca. Libby tem tudo para ser desprezada pelo público, mas por incrível que pareça, é uma personagem fascinante. Em muitos momentos ela chega a ser intragável, mas conforme vamos nos aproximando e compreendendo suas motivações, vamos dando um desconto até o ponto em que ela nos fisga. Até porque ser uma das poucas sobreviventes de uma chacina que levou sua família, deixando apenas o pai, com quem praticamente não conviveu e o irmão, que foi acusado pleo assassinato coletivo, transforma qualquer pessoa em uma criatura no mínimo controversa. E é isso o que ela é. Libby rouba pequenos objetos de qualquer lugar que visite, seja quem for o anfitrião. Mas alguém de quem foi tirado tudo precisa encontrar uma maneira de tirar algo de alguém. De preencher o vazio de sua existência com objetos sem valor. Ela não rouba bancos, ela rouba mimos, enfeites, objetos sem valor. Ela rouba histórias para preencher a lacuna em sua própria história de vida. Na ânsia de ganhar dinheiro em cima de um grupo de fanáticos por crimes famosos, ela vende seus objetos pessoais, como cartas e fotografias de seus parentes, fazendo cálculos de quanto aquele dinheiro vai durar. E é ao se envolver com essas pessoas, que ela faz uma nova avaliação de seu passado e decide se reaproximar de seu irmão, que cumpre pena devido ao seu testemunho. Contudo, Libby não tem certeza absoluta da culpa de Ben e então se lança numa investigação em busca a verdade. Com a revelação do que realmente aconteceu, qualquer que seja o resultado, Libby sairá perdendo. Se o irmão é inocente ela é culpada por ter contribuído para sua prisão. Se é culpado, nada muda, e seu único elo afetivo continua sendo o assassino de sua família. Mas ela, apesar dos defeitos, é corajosa e segue em frente, fazendo uma varredura em seu passado.
A história é narrada em duas épocas. No tempo presente, em primeira pessoa pela protagonista, com suas queixas, seu pessimismo, sua vida vazia. E no passado pelos pontos de vista de Ben, o irmão acusado de assassinato e por Patty, mãe de ambos. Ben é um jovem patético, uma marionete nas mãos da namorada e motivo de piada para os colegas de escola. Um rapaz fraco, que se deixa conduzir pelos acontecimentos a ponto de dar nos nervos. Outra personagem que me irritou aos extremos foi a mãe. Patty é tão fraca quanto o filho, porém nela esse defeito é mais grave por se tratar do esteio de uma família. Como mãe ela é omissa, prefere tapar o sol com a peneira e evita conflitos com o pretexto de manter a liberdade dos filhos, mas na verdade o que a impede de confrontar Ben é a mais pura covardia. Não vejo a fraqueza como um defeito grave, todos temos um lado frágil, mas há pessoas que deixam as rédeas de sua vida nas mãos alheias ou se omitem quando é sua obrigação tomar atitudes e é esse o caso dos dois personagens. Como por exemplo, descobrir que o filho está efetuando furtos e fingir que não sabe.
Essas incursões no passado dão bastante dinamismo à história, um recurso que vem a calhar devido à atmosfera sombria do livro. Ficar muito tempo na mente daquelas pessoas é desconfortável e mesmo saltando da negatividade de Libby para os dilemas de Ben e dali para o desespero de Patty, ou seja, saltando do ruim para o pior, essa mudança de foco é bem vinda, pois o livro mexe demais com as emoções. Chega a dar uma revirada no estômago, um nó no peito e uma angústia indefinida. São vozes em desespero, clamando pela verdade ou por socorro, o que às vezes dá na mesma. Quando o livro passa um pouco da metade, a vontade de descobrir a verdade vai se intensificando, pois várias situações vão se formando e convergindo para a tragédia do dia 3 de janeiro de 1985. Os personagens vão se tornando cada vez mais desesperados, cada um com seu conflito e muitas hipóteses sobre o que realmente aconteceu vão surgindo. É como se não houvesse escapatória para aquela família e qualquer que fosse a atitude que um deles tomasse, o final seria o mesmo. Conforme a investigação de Libby avança, paralelamente em flashback, a noite das mortes vai se aproximando como se houvesse uma corrida narrativa para definir como a verdade seria revelada. Se através das descobertas de Libby ou nas revelações que eram feitas no passado.
O final tem uma certa ação, sem exageros, o que achei ótimo, pois não curto passagens muito longas de perseguição. Porém a solução do mistério me soou um tanto forçada. Não prejudicou o livro como um todo, mas achei que Gillyan abusou das leis da probabilidade.
De qualquer forma, agora sim Gillyan Flinn conseguiu me conquistar, com essa obra deliciosamente sombria.

14 comentários:

  1. Oi Ronaldo!
    Não li sua resenha na íntegra porque estou ansiosíssima para ler esse livro, então estou evitando conhecer a opinião dos blogueiros para ser pega o mais de surpresa possível.
    Entendo pelo último paragrafo que você não havia gostado dos outros livros da autora, mas gostou desse? Bom..então eu que sou fã vou devorar essas páginas ;)
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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    1. Ao contrário da maioria, eu não consegui gostar muito de Garota Exemplar. Achei um bom livro, nada de sensacional. Beijos.

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  2. Um livro perturbador e macabro, uma protagonista interessante e um final que gostei muito.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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  3. Não conhecia o livro. Ainda não li nada da autora. Adorei sua resenha, por causa dela fiquei curiosa para ler o livro!

    Um abraço!

    www.meuslivrosesonhos.blogspot.com.br

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    1. Pelas suas leituras, acredito que vá gostar muito.

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  4. Oi, gostei muito da sua narrativa de resenha :))
    Mesmo o livro não sendo meu estilo haha
    Beijos
    http://lerporquesim0403.blogspot.com.br/

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  5. Ronaldooooooooooooo seu danadooooooooooo vc já leu esse livro!!!!!!!!!!!!!!!!!! Vou morrer!!!!!!!!!! Eu ainda não li, por isso eu n li sua resenha RSRS. Mas assim que eu ler o livro eu lerei PROMETO! Parcero quanto tempoooooooooooo.... Eu só volto em Agosto porque minha casa está pra acabaar a construçao e eu devo me mudar em julho ou Agosto ( ai eu colocarei wifi e tal ). e não vejo a hora de ler esse livro.. antes de ver o filme é claro. abraços. se cuida. #Guto

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    1. Você está fazendo falta, cara. De vez em quando vou lá no seu blog só pra ver se tem postagem nova. Espero que compense o tempo perdido postando bastante depois. Quanto á minha resenha, ela não tem spoilers, poe ler à vontade.

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    2. Eu to preparando um post imensooooooooo kkk com todas minhas leituras desse tempo que estou fora do ar... Pelo menos eu voltarei antes da bienal e vou estar de olho nos mil lançamentos!!!!!!! #Ansioso

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  6. Oi, Ronaldo!
    Ao contrário de você, não consegui gostar de Libby de forma alguma, mas quanto ao Ben, concordo com tudo que você disse, que personagem non sense. Eu queria entrar no livro e dar uma sacudida nele e gritar "ei, tenha colhões!" ¬¬ Como me aborreceu as passagens dele com a namorada, igualmente abominável e desprezível.
    Já Patty, para mim, foi uma personagem que não cheirou nem fedeu, mas achei comovente, apesar de óbvio, o que ela esteve disposta a fazer para a ajudar a família. Achei que foi óbvio pelo fato de terem mencionado a situação em apenas um momento do livro. Geralmente, quando isso acontece nos livros policiais, é porque tem coelho nesse mato. Não considerei isso uma surpresa. Aliás, quando o "carinha" (já esqueci o nome) a procura com uma proposta de solução, tive dois palpites, o 1º seria prostituição, pois é algo que também se joga no ar no livro e não se dá maior ênfase, e a 2ª o que realmente aconteceu.
    Quanto ao final, que você achou forçado, achei meio óbvio o fato de dois assassinos. A descrição dos corpos deixou claro que foram formas bem divergentes de matar, portanto, chutei que seriam dois. Para mim, o que surpreendeu aqui foi a forma como um dos personagens cometeu o crime, sei lá, achei que destoou um pouco do modus operandi desse sexo.

    Se você achar que dei algum spoiler aqui nos comentários, plix, apague-o e me mande um email que a gnt conversa mais sobre o livro. Ou me adiciona lá no Skoob: http://www.skoob.com.br/usuario/134847-mari

    Abraços

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    1. Olá, Mari! Se alguém começar a ler seu comentário, vai sacar logo que você já lei o livro e, espero eu, vá parar por aí. Portanto, não há problema com os SPOILERS, que também aparecerão no meu comentário. Você foi bem mais perspicaz que eu, não consegui pescar essas pistas. Minha teoria foi bem diferente, mas pelo menos acertei um dos assassinos. E concordo com você quanto ao método dessa pessoa ser incompatível com seu gênero. Obrigado pelo comentário e te adicionarei no skoob. Abraços.

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