quarta-feira, 24 de junho de 2015

Intergalática - Uma Montanha Russa de Emoções

                                               
                                               Sinopse


O ano é 2031. No dia em que a NASA comunica uma missão espacial para Europa, uma das luas de Júpiter, em busca de encontrar vida extraterrestre, Amanda Collins, uma psiquiatra, desperta de um coma, trazendo lembranças de uma incrível Jornada em outro plano. Ao lado de três amigos, se envolve em uma conspiração provocada pela poderosa organização denominada A Firma, que planeja sabotar a missão e buscar um planeta habitável localizado a dezessete anos luz da Terra. Com seus companheiros, Amanda se infiltra na organização para descobrir a verdade por trás da conspiração, e são obrigados a mergulhar numa aventura sem precedentes, simplesmente a maior expedição interplanetária da humanidade.

                 
                                                                   Resenha
O que me deixou fascinado logo de cara foi a ambientação. A história começa na Islândia e a rica descrição dos cenários me fez sentir o frio daquela região. O autor tem uma habilidade incrível de te levar para dentro da história, te fazer visualizar o ambiente e assim te aproximar dos personagens. Acho mágico quando isso acontece. Logo no início a história dá alguns pulos no tempo, que me deixaram um tanto desnorteado, mas logo a ação se fixa numa determinada época, que é o ano
2031 e então temos mais tempo para conhecer os personagens, que são muito bem delineados.
A primeira impressão que se tem da personagem principal Amanda é a de uma jovem sofrida, mas muito forte, que enfrenta seu pai por motivos que nos vão sendo apresentados aos poucos. Porém, já na idade adulta, Amanda se torna uma pessoa amarga, cínica e rancorosa, o que me gerou uma antipatia instantânea. Coloquei na balança seu passado traumático, mas mesmo assim a
arrogância da personagem é insuportável. Mas temos o contraponto que é Lina, uma jovem cujo destino se cruza ao de Amanda. Lina é desiludida com a vida, mas ao invés de reclamar, ela apela para o humor. É uma pessoa que consegue rir de si própria, o que contrasta com toda a seriedade de Amanda. Lina quer um sentido para sua vida, e o encontra após ser colocada numa situação crítica, envolvendo Amanda e mais dois amigos, Rypler e Stryker. Rypler é uma ex fuzileira naval que, paradoxalmente tem uma alma gentil e bondosa. E Sryker, personagem fascinante, é um gênio da computação de temperamento extremamente explosivo. Por várias vezes ele entra em conflito com Amanda, dadas às suas personalidades fortes e o resultado sempre é de soltar faíscas. Conforme é abordado em um de seus diálogos com a amiga, que é também sua psiquiatra, Stryker se refugia na previsibilidade dos números, para se preservar do medo que o desconhecido lhe causa. Ele representa na verdade toda uma geração que tem medo de seus próprios sentimentos e busca somente aquilo que consegue controlar.
O ritmo do livro é eletrizante. Franco não nos dá trégua, muito menos aos seus personagens, e antes que uma situação se desenvolva, surge outra logo por cima, mudando os rumos dos acontecimentos e nos levando por uma viagem imprevisível. Quando achamos que conhecemos o mote do livro, quando um poblema é colocado e começamos a tentar prever quais serão as atitudes dos heróis, surge uma nova dificuldade para ferrar com a vida dos personagens e nos deixar afoitos em saber que rumo as coisas vão tomar.
O livro trata dos assuntos mais diversos: vida após a morte, abusos da ciência e a existência de vida fora da Terra. Mas uma das questões principais é o egocentrismo. Até onde uma pessoa pode ir para alcançar seus objetivos? Quantas vidas podem ser sacrificadas para satisfazer a ambição de um único ser? Qual o valor da vida e das questões morais quando estão em jogo os delírios de um megalomaníaco? O livro te faz pensar no quão pequenos e frágeis, nós,seres humanos somos, em como a nossa raça é vulnerável e manipulável devido ao interesse de uns poucos. Oswald, pai de Amanda, o grande vilão do livro, representa o sentimentos mais mesquinhos do ser humano. De um egoísmo doentio, ele só pensa em seus próprios interesses e relega o resto do mundo à destruição. Uma triste metáfora do que a humanidade sempre passou para atender os caprichos de uma parcela mínima da população que é aquela que detém o poder. Mas não é só o mal que tem força. Amanda e seus companheiros são incansáveis em sua luta pra sabotar os planos de Oliver, representando aí a esperança, a amizade e o  coragem. Amanda, que no início do livro não ganhou minha simpatia, cresce conforme os acontecimentos vão se sucedendo e conquistou o meu respeito.
Tenho de ressaltar alguns pontos negativos. Primeiro, a revisão que está péssima. À cada cinco páginas há um erro, e são erros gritantes. Um toque aí para a editora se atentar mais, pois quem sai mais prejudicado nisso é o próprio autor, que mesmo tendo potencial, pode perder leitores. Muitos leitores são exigentes e colocam o livro de lado quando há muitos erros de digitação, acentuação e até concordância. Foram muitos mesmo. Além disso, a sintaxe de Franco em alguns momentos é um tanto desajeitada, tornando algumas frases difíceis de compreender. E por final, há uma passagem , logo no início, onde Amanda rende um grupo de cinco agentes armados, inclusive matando um deles. Franco se esforçou ao escrever o trecho, inclusive deu detalhes lance a lance dos movimentos dos personagens, para que o leitor compreendesse como a personagem conseguiu tal façanha, num perfeito  roteiro de cinema, mas não me convenceu. Senti uma influência de séries como Nikita, por exemplo, que tem seu valor, mas dentro de um determinado contexto. Uma mulher sozinha e desarmada vencer cinco caras, foi forçado.
Mas detalhes a parte, o livro é um grande aventura não só para quem lê, mas certamente, para o autor quando a concebeu. Digo isso porque Franco foi ousado, misturando elementos de realismo fantástico, ficção científica e questões e fundo existencialista, criando um mundo no futuro e também tentando impiedosamente destruí-lo. A descrição da catástrofe que assolou (ou assolará) nosso planeta devido às manipulações de Oswald, além de habilmente concebidas, são atordoantes. Faz pensar sobre o caminho que a humanidade está tomando. Quanto ao tema de vida fora da Terra, Franco foge aos clichês, não se limitando somente a demonstrar o quanto outras culturas tem a nos ensinar, mas também mostrando que mesmo em nossa insignificância perante o universo, também temos algo com o que contribuir em sua evolução. Além disso, expõe de maneira tanto direta como indireta, o quanto nossas convicções são criadas pelo medo. O quanto nos iludimos chamando de verdade, o que é apenas uma cortina de ilusões erguida para nos proteger daquilo que tememos: o desconhecido. E o quanto essa rede de proteção é prejudicial à nossa própria evolução.
Intergalática é uma sequência de surpresas que te faz virar as páginas febrilmente, uma obra que o instiga a devorar cada página. Franco brinca com o leitor, surpreendendo-o à cada instante e mexendo com as suas convicções. Uma obra pra ser lida com a mente aberta.


                                                      Sobre o Autor
Franco nasceu em São Paulo, no início os anos 90 e logo mudou-se para o Rio de Janeiro. Além e ter
cursado a faculdade de administração, foi produtor de eventos, entre eles duas edições do Rock In Rio e do festival espanhol Sonar. Alfabetizado inicialmente em inglês, viveu em Detroit, onde e se formou no Proficiency English, dos exames Cambridg ESOL. Escrito originalmente em inglês, o Intergalática teve a versão em português escrita pelo próprio autor. É sua primeira obra publicada.


Aquisição do livro:
www.travessa.com.br/intergalactica/

6 comentários:

  1. Olá! Tudo bem?

    Amei a sua resenha! *O*

    O D&B também virou parceiro do Trotta e já estou mais do que louca para ler esse livro!

    Se sua resenha está me fazendo arrancar os cabelos de ansiedade? Ah, imagina! Hahaha

    Amei as suas críticas, um blogueiro que faz sua resenha com honestidade é algo ótimo!

    Beijos e até!

    www.dreamsandbooks.com

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    1. Você vai curtir muito, eu o li em menos de três dias. Quando fizer a sua resenha me avisa pra eu conferir.

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  2. Livros com erros de revisão me irritam bastante. Quando encontro erros, me desconcentro da leitura.
    Ótima resenha!
    Um abraço!

    www.meuslivrosesonhos.blogspot,com.br

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    1. Verdade, tem de ser algo bem feito pra não atrapalhar a leitura.

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  3. O complicado nesses casos de revisão é que prejudica tanto o autor quanto os leitores. E a gente pensa duas vezes antes de comprar novamente, pois realmente os erros atrapalham em certos casos (coerência e coesão são aspectos indispensáveis, principalmente no meio literário).
    A sua resenha é de brilhar os olhos, Ronaldo. Parabéns!
    Um abraço!

    www.leituranasestrellas.blogspot.com

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    1. Mas na próxima tiragem os erros serão revistos, o próprio autor providenciou.

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