sexta-feira, 29 de maio de 2015

Brutal - Luke Delaney



                                                             Sinopse

Após quebrar sua regra de nunca levar clientes para casa, um garoto de programa é assassinado com 77 facadas. O que parece ser um crime passional, revela-se obra de um  serial killer, cujas vítimas não têm perfil específico. Pode ser homem, mulher, mais velho ou mais jovem. Não importa. O que há em comum, porém, é uma intensa crueldade revelada na brutalidade das mortes e no potencial que ele tem de infligir sofrimento à vítima. À sua caça está o talentoso detetive Sean Corrigan, que usa suas habilidades de profiler para descobrir sua identidade. Porém, isso é mais difícil do que parece.

                                                           Resenha

Luke Delaney, pseudônimo de um agente policial que prefere não se identificar, estreou com um livro que cumpre o que promete. É brutal em todos os sentidos, na descrição dos crimes, na visão de mundo e na criação de personagens que aprenderam a lidar com a violência em seu cotidiano. Seja coibindo-a, sendo vítima ou agressor.
Sean, o detetive que investiga uma série de assassinatos é uma espécie de profiler natural, ou seja, não é uma pessoa que adquiriu suas habilidades apenas com com treinamento, mas devido ao seu histórico de vida. Ele conhece o mal porque foi vítima dele. Sofreu abusos de seu pai e ao invés de se render à violência, se tornando um criminoso, seguiu outro caminho, tornando-se um agente da lei e perseguindo assassinos.
O livro começa com todo o ritual de caça que o assassino faz para se aproximar de Daniel Graydon, um garoto de programa. Ele ganha sua confiança e o convence a levá-lo para o seu apartamento, onde o mata de forma cruel. Os detalhes são de embrulhar o estômago. Luke não mede as palavras e retrata sem piedade a fúria violenta com a qual o assassino trucida sua vítima.
Logo, um suspeito é apontado. Hellier, um executivo em ascensão, é associado à cena do crime e descobrir se ele é o verdadeiro criminoso é um dos grandes ganchos do livro. Hellier é, sem dúvida, o personagem mais fascinante da trama. Bonito, inteligente, charmoso e muito mau. Ele tem tudo para ser o assassino. É ligado à vítima, tem um passado de violência, tem segredos que vão sendo tanto descobertos por Sean, quanto revelados pelo narrador e a dúvida vai permeando o livro. Um dos pontos mais interessantes de toda a narrativa é o duelo entre Sean e Hellier. São dois personagens em polos opostos imersos num jogo de inteligência, onde um tenta antecipar os passos do outro e isso movimenta a trama, nos levando de carona num jogo de xadrez humano, do qual depende a vida de pessoas inocentes.
Além do narrador em terceira pessoa, temos também o ponto de vista do assassino. Em várias passagens ele deixa escapar semelhanças com Hellier, seja em seu modo de pensar, seja sobre o fato de também ser casado e pai, seja pelo fato de ser um homem de preparo físico descomunal. Há crimes anteriores e posteriores à morte de Daniel, todos cuidadosamente narrados, criando uma atmosfera sombria.
Porém, um ponto negativo são alguns desdobramentos que não vingam. Por ser a morte do jovem Graydon o fio condutor do livro, são geradas várias possibilidades sobre seu assassinato, com outros suspeitos além de Hellier. Mas se já no início sabemos que o rapaz foi morto por um serial killer, as demais hipóteses são supérfluas ao leitor e isso torna a leitura um tanto dispersiva em alguns pontos. Acredito que se essas investigações paralelas não tivessem tanto espaço, o livro seria mais objetivo, reduzindo o número de páginas, mas aumentando a emoção.
Brutal não é uma trama com reviravoltas de cair o queixo. Logo de início matei parte da charada, mas o grande trunfo do autor não é revelar a identidade do assassino e sim a seu modo de agir, de pensar, de enxergar o jogo de vida e morte no qual se aventura. Poucas vezes vi a mente de um serial killer ser descrita com tanta clareza e isso chega a ser arrepiante. Como se trata de uma série, acredito, e espero, que os próximos volumes se foquem mais no passado de Sean, pois senti falta de mais detalhes sobre sua infância sofrida. E que a série renda e Luke nos traga não só mais sobre seu detetive, mas novos e apavorantes serial killers.



6 comentários:

  1. Mais uma promissora série para minha lista de compras. Gosto muito de livros que possuem um serial killer.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. Estava na hora de surgir uma nova série como essa.

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  2. Quero muito ler esse livro, gostei muito da resenha e estou seguindo o blog! Abraços!
    http://coisasdeumleitor.blogspot.com.br/

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  3. Adorei a resenha, já estava de olho no livro, mas agora decidi que quero muito lê-lo!!!

    graywrens.wordpress.com

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    1. Eu relutei m comprá-lo, pois nem todo mundo gostou, mas não me arrependi.

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