terça-feira, 7 de abril de 2015

Histórias Para Noites Sem Luar - Coletânea de Alfred Hitcchcock


Resenha


Li esse livro há cerca de vinte anos e retornar a ele foi uma experiência maravilhosa, na qual senti de volta um pouco das emoções que me assaltaram na época. Nem todos os livros que relemos continuam nos impressionando, pelo contrário, muitas vezes nos decepcionamos e nos perguntamos como pudemos gostar tanto de determinada obra. Nossa evolução literária tende a relegar alguns livros lidos há muito tempo a uma posição inferior em nossa avaliação, mas não foi o caso de Histórias Para Noites Sem Luar.

O primeiro conto é “Uma Vida Boa”, uma história que virou um episódio de Além da Imaginação há muitos anos e, inclusive, teve uma continuação numa temporada mais recente. Trata-se de um vilarejo aparentemente pacato, onde o pequeno Anthony torna os moradores reféns de seus caprichos infantis. Isso porque o garoto tem uma habilidade muito especial. O que aquela criança é capaz de fazer a torna um dos monstros mais assustadores da literatura. Um poder tão grande que é capaz de consequências apocalípticas.

”A Cidade Está Dormindo”, de Ray Bradbury, mostra a versatilidade desse grande nome da ficção científica, que conseguiu criar uma obra prima do suspense em apenas poucas páginas. O conto fala sobre um estrangulador que apavora uma pequena cidade. Uma mulher corajosa, ou teimosa, decide não ceder aos seus medos e isso resulta numa aventura noturna de causar calafrios.

“O Casulo” é daqueles contos que começam tediosos, narrando as experiências que uma criança faz com mariposas, mas que de um instante para o outro enche as páginas com um terror crescente. Aquele medo cujo objeto é indefinível e que explode num final violento.

“Os Turistas da Tragédia” é um bom conto, porém é longo demais, dando muitas voltas até chegar ao que interessa. Não que essas voltas não tenham sido importantes para o desenrolar da história, mas acho que umas dez páginas a menos o tornariam bem mais objetivo.

“Nossos Amigos Emplumados” conta a história de um casal que se aventura numa floresta e se depara com um perigo vindo de animais aparentemente inofensivos. O conto tem uma atmosfera tensa que só aumenta o horror vivido pelos personagens. Quem gostou do filme Os Pássaros certamente vai curtir.

"No Meio do Mato" é um conto que me deixou perplexo. Um homem encontra na floresta algo bizarro e logo descobre que algumas aberrações podem podem ter sentimentos muito parecidos com os nossos. Tanto os bons, quanto os mais mesquinhos.

“O Assalto” Um conto bem fraco, mas que não chega a decepcionar. Não me lembrava desse conto, e quando vi o título achei que fosse mais uma daquelas tediosas histórias sobre roubos de banco ou algo assim, mas não era nada disso. Uma história que fala sobre imprevistos.

“Ladra! Ladra!” Uma jovem criada que trabalha para uma mulher inválida. O cenário e o título me fizeram pensar em vários tipos de roubo, mas nenhuma das minhas hipóteses chegaram perto do tipo de ladra ao qual o conto se refere.

“Uma Noite Na Cobertura” fala sobre uma cruel armadilha e sobre a maneira engenhosa com a qual a presa consegue escapar.

“A Mulher do Vizinho” conta uma história que vez ou outra estampa as manchetes dos jornais. Mas é narrada sob o ponto de vista de uma vizinha curiosa de uma forma bastante irônica.

“Dia D” o único conto ruim do livro, um frenético relato de fatos violentos que são o prelúdio de um terrível momento histórico.

“O Homem Que Gostava De Dickens” se passa na Amazônia, onde um aventureiro encontra abrigo numa aldeia isolada e logo descobre que há algo de doentio em seu anfitrião. É um conto vibrante, aflitivo e em alguns momentos revoltante que encerra em grande estilo essa apavorante coletânea.

É difícil achar coletâneas dessa série que cumpram realmente o que é prometido em seus títulos sombrios. A maioria é composta de contos policiais repetitivos, narrando esquemas complicados de assaltos, investigações de assassinato ou planos mirabolantes de vingança. Nada contra esses temas, mas não é o que se espera destas capas horrendas, mas bastante instigantes. Geralmente as edições mais antigas, da década de 60 e até metade da de 70 são as melhores  e mesmo assim, é difícil acertar. Mas não custa arriscar.

5 comentários:

  1. oiiii!! Vim conferir o post novo porque eu sempre esqueço de comentar mesmo eu vindo sempre que eu lembro. Como eu sigo um monte de blogs eu nunca sei quando cada um vai postar um texto novo e tal kkk eu fico todo perdido.. Enfim, aqui estou eu e adorei o post. Abraços, Guto!

    Você gostou do caixa de pássaros??? menos o final eu sei kkkkkkk também não entendi que final foi aquele!!!!

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  2. Olá Guto!!!!! Eu também não gostei muito do final de Caixa de Pássaros, achei abrupto. Mas a maior parte do livro é tão emocionante que compensa. Abraços.

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  3. Ronaldo, me interessei muito por este livro de contos, pois possui histórias bem interessantes. Vou dar uma olhada na estante virtual para adquirir o meu. Abraços

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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