quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tannöd: Horripilante, sombrio e original



                                            Sinopse
Uma família inteira é brutalmente assassinada numa fazenda na Alemanhã. A Tannöd do título. Nem mesmo as crianças são poupadas. Não há qualquer indício do assassino e muito menos do motivo. Os moradores da região se perguntam o que aconteceu naquela casa e o enredo se desenvolve através do ponto de vista de diversos personagens ligados de alguma forma à vítimas da tragédia. A história foi baseada num crime real e nunca esclarecido. O misterioso caso conhecido como “Assassinatos de Hinterkaifeck”.

                                            Resenha
Uma história que poderia descambar para o lugar comum, não fosse a maneira original com que foi contada. O livro não tem uma estrutura linear. A narrativa é baseada nos testemunhos dos moradores do vilarejo onde ocorreu o crime. Há um interlocutor oculto que ouve os relatos e não fica claro se trata-se de um policial, um jornalista ou alguém interessado na história fazendo perguntas. Portanto, quem acaba sendo esse interlocutor somos nós, os leitores. É como se essas testemunhas estivessem nos contando o que sabem, o que viram e o que acham. Isso cria uma grande afinidade com o livro, que torna a leitura envolvente.
Mas não são somente os vizinhos que nos contam suas histórias. Em alguns trechos o ponto de vista é das vítimas. Ficamos sabendo um pouco sobre suas vidas e sobre os momentos que antecederam os crimes. Tudo isso forma um quadro fascinante e ficamos ávidos por cada nova informação.
Assuntos como incesto, violência doméstica e a questão dos refugiados são abordados, retratando os profundos conflitos que ocorrem dentro daquela fazenda.
A atmosfera do livro é densa, um clima de terror, como se algo de sobrenatural pairasse sobre os acontecimentos, mesmo que saibamos que não se trata de uma obra de fantasia. Sempre tem alguém vislumbrando algum vulto, ouvindo sons estranhos, percebendo que há algo errado. Alguns trechos são de gelar o sangue.
O final é satisfatório, com uma explicação clara do que aconteceu e que só vem nas últimas páginas.
É uma leitura rápida, mas dilacerante e que não se esgota na primeira lida. Ou seja, não é um livro de mistério que se baseia somente na identidade do assassino e sim uma obra com muitos outros predicados. Por isso merece futuras releituras.

                                          Aspectos Gráficos: 
159 páginas;
Papel amarelo e bem espesso, as folhas chegam a ser duras, o que dá a impressão de estarmos diante de um livro antigo, retirado de algum porão;
Fonte grande, com linhas bem espaçadas, o que faz as páginas correrem com rapidez.
Não encontrei erros de revisão.
                                                               Sobre A Autora  
Andrea Maria Schenkel nasceu em 1962. Vive com a família nas proximidades de Regensburg, Alemanha. Tannöd,  seu romance de estreia, foi premiado com o Deutschen Krimi Preis (prêmio alemão de thrillers). Tem cinco livros publicados.

2 comentários:

  1. Cara dica fantástica! Adoro encontrar novas leituras! Anotado na lista de empréstimos da biblioteca, eles tem esse livro por aqui. Depois passo para deixar minhas impressões :)

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    1. Que bom que pue retribuir de alguma forma as dicas que pego em seu blog.

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