sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Dá-me os Teus Olhos Torsten Pettersson Resenha




O livro tem uma estrutura fora do convencional. No início parece uma típica história de serial killer, mas é muito mais do que isso. Da investigação a narrativa se desloca para o ponto de vista de outros personagens através de relatos escritos, de cartas, de gravações. É impressionante a habilidade do autor em mudar o estilo da narrativa de acordo com quem esteja falando. Num momento é uma jovem que trabalha numa grande usina nucelar, que descobre uma irregularidade capaz de colocar muitas vidas em risco. No outro, um ex-soldado com uma grave lesão na coluna que esteve envolvido num estupro. Inesperadamente, quem toma a palavra é uma jovem russa que saiu de seu país em busca de um emprego como doméstica e acabou entrando num esquema de prostituição.

E esses diferentes focos narrativos faz com que tenhamos informações que o próprio investigador não tem, o que aumenta o suspense.
O mais incrível é que essas diferentes narrativas tem um motivo para serem contadas dessa forma. Não é encheção de linguiça.Tudo é relacionado com os crimes.
São personagens lindamente desenhados cada um deles com suas motivações convincentes criando um vínculo com o leitor. Só não gostei muito do personagem principal, o detetive Herald. Achei-o meio apático.
É o primeiro livro do autor a ser publicado no Brasil e espero novos lançamentos. Ele tem potencial para se tornar um grande sucesso.

Tom - Dramático, sombrio e instigante.

Ritmo - Dinâmico.
Pontos fracos- Personagem principal pouco carismático.
Aspectos físicos - Excelente diagramação, linhas espaçadas, fonte média, papel amarelo, acabamento gráfico bastante artístico, com alguns ramos de árvore estampando as partes de dentro da capa e contra capa, papel nessa área é de alta qualidade, capa gostosa de tocar e alguns esboços no miolo abrindo cada mudança de fase da história.
Vale a pena ser relido? - Sim, muitas vezes.