quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A Última Vítima (Resenha) Tess Gerritsen chega ao 10º livro da série com a mesma qualidade




 Após tantas opiniões negativas nos comentários da Amazon eu fiquei meio de pé atrás com esse livro. Acreditei que a série começou a desandar, como é comum acontecer, porém me surpreendi. Primeiro, porque disseram que o livro quase não tinha conteúdo. Havia muitas folhas em branco somente para preencher espaço. O que não procede, pois o volume tem 367 páginas com fonte de média para pequena e sem páginas em branco. E depois, porque acharam a trama boba, infantil e que muito se falou sobre a crise no casamento dos pais de Rizzoli. E também discordei de tudo isso. Mas vamos lá.
 No início, o que me deixou contrariado foi a animosidade que havia entre Maura e Jane. Desde o livro anterior sua amizade foi balançada e esse afastamento tira um pouco da graça da trama, já que a série é focada na amizade entre as duas. Uma amizade cheia de reservas, na qual não há demonstrações exageradas de afeto, mas há uma parceria e um afeto mútuo que ressalta ainda mais a solidez da relação entre as duas. Elas não são aquele tipo de amigas cheias de tati bi tati, são duas mulheres maduras que apesar de serem tão diferentes, tem uma amizade soldada pelas situações inusitadas que viveram juntas. Ao vê-las afastadas, achei que a série ia descambar para aquela fase de amargura, no qual os personagens se afastam, dramas pessoais vão se intensificando e tudo fica cinza. Como aconteceu com Patrícia Cornwell e Jonathan Kellerman.
 Mas antes que eu começasse a lamentar pelo fim da fase de frescor da série, Tess me surpreendeu, reaproximando as amigas (não digo como e nem quando para não soltar graves spoilers) e focando parte da história na vida pessoal dos personagens. Estava sentindo falta das cenas domésticas de Rizzoli, de acompanhar o crescimento de Regina, da presença de Gabriel e das cômicas desventuras envolvendo os pais de Rizzoli, seus irmãos e Korsak.  Há ótimos momentos em família e isso não tirou o foco da trama principal. Pelo contrário. O amor de Rizzoli pela família tornou mais evidente o quanto sua profissão pode colocar a vida de seus entes queridos em perigo.
 Quanto à trama principal, o livro já começa intrigante, com muita ação e  suspense. Julian está vivendo num abrigo para crianças vítimas de violência, dirigida por Sansone e este núcleo é bastante rico em personagens. Os adolescentes são bem retratados e  logo nos apegamos a eles.
A trama alterna entre as cenas de Maura no abrigo, e as de Rizzoli e Frost em eu trabalho de campo e desta vez ambas as protagonistas aparecem bastante.  
 O livro tem muito ritmo, não há momentos maçantes e os conhecimentos de Medicina Legal de Isles são utilizados. Há cenas de autopsia e algumas descrições bem repulsivas que dão para matar nossa sede, mesmo não se tratando de um suspense médico. Na verdade o livro tem cara de thriller de espionagem, repleto de assassinatos espetaculares, conspirações, pessoas que não são bem o que aparentam e vítimas em fuga escondendo-se de uma ameaça misteriosa. E o final tem tantas reviravoltas que dá para ficar tonto com tantas revelações.
 Defeitos:  O uso excessivo do termo ominoso, que, aliás, eu nem sabia o que significava. Alguns problemas de revisão, com erros grosseiros na construção de frases. Sem falar que num momento Rizzoli é chamada de Maura. Esses defeitos chegaram a incomodar, mas se repetiram mais no início. Depois de certo momento, passaram a ser menos frequentes. Mesmo assim, ponto negativo para a Record. 
 No geral,  A Última Vítima é uma prova de que Tess ainda está em forma e podemos esperar muita coisa boa nos próximos lançamentos. Suas maiores qualidades permanecem presentes e o livro tem um diferencial: a autora demonstrou ter um jeito especial de falar sobre o universo adolescente. Certamente  os leitores teen devem ter se identificado e como esse mercado tem se expandido tanto, está aí um bom caminho para Tess explorar. Mas sem abandonar nossa amada série, é claro.

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