terça-feira, 22 de julho de 2014

Sete livros que viraram séries de TV

  Se as adaptações de livros para o Cinema na maioria das vezes transformam uma obra prima em algo de qualidade questionável, com as séries de TV o resultado é mais variável.  Devido à duração bem mais longa do programa, os roteiristas tem oportunidade de manterem-se fiéis aos livros, desenvolver melhor os personagens e criar outras tramas, enriquecendo a história original. Bons livros podem dar origem a ótimas séries e em alguns casos, o seriado pode superar a obra original. Mas também pode destruir um bom livro.  Eis aqui  sete exemplos.

A Guerra Dos Tronos
 Quem se assustar com o tamanho dos livros saiba que as páginas correm pelos olhos sem que se perceba. O texto de Martin é fluído, saboroso e simples, sem muitos floreios. É impressionante a quantidade de personagens que ele consegue desenvolver sem torná-los superficiais. São personagens muito bem retratados, cada um  com seu conflito interno e suas motivações a justificar suas ações. É difícil se identificar com apenas um deles. Ao mesmo tempo que torcemos por um personagem também nos cativamos pelo seu adversário e esse conflito torna a leitura apaixonante.









Game Of Thrones

 A HBO caprichou na produção em todos os sentidos. Figurinos, locações, fotografia, cenografia, tudo é trabalhado com um cuidado minucioso e o resultado é a perfeição. A desvantagem do seriado é que pode se tornar confuso caso se perca algum trecho, pois são tantas casas, tantas disputas, tantos meandros que cada palavra é importante para a evolução da série. Por outro lado, a série é tão boa que rever um episódio por ter deixado passar alguma informação é sempre um prazer. Longa vida a Game Of Thrones. 




Ossos
 Apenas três livros de Kathy Reichs chegaram ao Brasil, mas em alguns casos é possível avaliar um escritor sem precisar conhecer muito sua obra. A personagem Temperance Brennan é uma antropóloga forense que presta seus amplos conhecimentos à polícia não só para identificar cadáveres, mas também para desvendar os crimes. O problema é que Brennan é pedante demais. Ela vomita tantos detalhes técnicos que a leitura torna-se maçante. Na verdade o pedantismo vem da própria autora que descreve cada movimento, cada cenário, cada pensamento, de modo minucioso, o que atrasa demais a evolução dos acontecimentos. Apesar das tramas instigantes, sua narrativa é muito cansativa. São tantos detalhes que a atenção se dispersa.



Bones 
É difícil acreditar que a Brennan da série foi inspirada na cientista dos livros, pois ela é uma fofa. É super inteligente e também vive soltando termos técnicos, mas o faz de modo natural, sem o mínimo resquício de pedantismo. Ela é meio avoada, sem malícia, sem senso de humor e por isso mesmo muito engraçada, pois não entende quando alguém está fazendo uma piada. Sem falar que seus colgas de trabalho formam uma equipe muito divertida, com personagens bem interessantes que vivem seus dilemas com muita leveza. Equipe essa que não faz parte dos livros.



       



Dexter, A Mão Esquerda de Deus
 Uma leitura leve, apesar do tema. É fascinante a maneira como o autor descreve como funciona a mente de um psicopata. Mesmo não tendo sentimentos, ele consegue racionalizar sua importância. Por exemplo: não é necessário Dexter amar sua irmã para ser leal a ela. 
A história até que tem algum ritmo, com boas doses de sangue e um suspense razoável, mas não é uma leitura compulsiva. A tentativa de humor é sofrível, com tiradas sarcásticas sem nenhuma graça, que em alguns momentos chegam a esfriar a trama. Se estivéssemos falando de um livro pesado, seria justificável lançar umas piadinhas para amenizar a atmosfera densa, mas não é o caso.




   Dexter

O seriado tem esse humor negro, mas nesse caso é muito bem elaborado. Faz parte da atmosfera da série. Até a abertura é irônica, com as atividades matutinas do protagonista sugerindo algo bem mais sinistro. Michael C. Hall dá um banho de interpretação e à cada temporada se torna mais humano. Na oitava temporada, Dexter ainda não se desgastou e tem seu lugar garantido entre os ícones cult.









Psicose 
Morria de vontade de ler esse livro, mas não encontrava nenhuma edição em  português. Foi lançado no Brasil, mas há muitos anos. Porém, não sei se devido ao filme sobre Hitchcock ou ao seriado, a Dark Side o relançou e pude então conhecer a obra que deu origem ao melhor filme de suspense de todos os tempos. Robert Bloch escrevia muito bem. O livro tem uma atmosfera densa, cheia de expectativa, um clima de terror iminente que nos suga e nos coloca naquele motelzinho sombrio, onde coisas muito estranhas acontecem.






  
Bates Motel
A série retrata a adolescência de Norman Bates e sua relação com a mãe. Tem um suspense vertiginoso, com momentos em que é difícil não roer as unhas. Vera Farmiga arrebenta no papel de Norma, uma mulher egoísta, possessiva e impulsiva, que se apoia no filho sem levar em conta que o garoto está numa fase difícil, tentando se ajustar numa nova cidade, apaixonado por uma menina fútil e tentando refrear seu lado psicótico que quando vem à tona, as consequências são desastrosas. Excelente série que mantém viva uma das histórias mais arrepiantes do Cinema.






A Zona Morta


Foi um dos primeiros livros que li de Stephen King e o achei vibrante. A história de um cara que após um acidente desenvolve o dom de prever o futuro ao tocar nas pessoas rendeu muito mais do que eu esperava. A dificuldade de Johnny Smith em se adaptar ao mundo após sair do coma, a reaproximação de sua noiva, o choque de ver outro cara tomando seu lugar, a aflição de prever fatos catastróficos e não saber como impedir, tudo torna o livro uma montanha russa de emoções.



The Dead Zone
Apesar do filme de sucesso, a série fugiu da categoria drama e terror e tomou o caminho policial, com uma pitada de humor. É uma série bem simpática. As primeiras temporadas até que deram um gás, mesmo sem a  dramaticidade que tornou o livro tão intenso. Porém, um dos pontos altos do livro é a trajetória de Gregg, antagonista de Johnny e que, segundo as suas previsões, após se tornar presidente dos Estados Unidos será o responsável por uma catástrofe nuclear. O personagem demora a aparecer na série e não o achei tão bem explorado quanto no livro. Além disso as últimas temporadas exageraram no humor, descaracterizando o seriado.

  

                           
O Silêncio Dos Inocentes 
 Thomas Harris criou em O Silêncio dos Inocentes, um dos personagens mais primorosos  da literatura moderna. Hanibbal Lecter, um psiquiatra brilhante, um homem refinado, acostumado ao melhor da gastronomia, os pratos mais sofisticados feitos com ingredientes exóticos como, por exemplo, carne humana. Protagonizando quatro livros, conhecemos muito sobre esse psicopata de aparência inofensiva, mas com um apetite voraz. 

                                    

     
                
Hannibal
E na série voltamos no tempo, quando Dr. Lecter ainda era apenas um colaborador da polícia, usando seu conhecimento sobre psicologia para auxiliar um atormentado detetive na solução de crimes. O Lecter da série não é tão carismático quanto o de Hopkins ou mesmo o de Gaspard Ulliel, é um esnobe que paira entre os meros mortais como um arrogante especialista da mente humana e engana a todos com seus modos refinados. Mas a estrela da série é na verdade  Jack Crawford, o profiler que se associa ao canibal sem ter a menor ideia de que está dançando com o demônio. Um personagem intenso, que tem a agoniante capacidade de mergulhar na mente de assassinos.






O Dominador
 À cada novo livro me apaixono mais pela série. É delicioso acompanhar a vida dos personagens, presenciar suas vitórias, suas derrotas, sua evolução. Ver Rizzoli saindo do casulo, se transformando de uma lagarta não em uma borboleta, aí seria demais, mas em uma mariposa que voa deixando para trás seus complexos, sua insegurança e seu sentimento de rejeição. Tanta dificuldade em se adequar a um mundo ao qual acredita não pertencer, mas no qual tenta conquistar um espaço, nem que seja à força. E Maura, uma mulher que tinha tudo para ser feliz no amor, mas é atraída para as piores ciladas. 




Rizzoli and Isles 
A série é focada na diferença entre as duas personagens e na amizade que as une. Rizzoli não é feia e mal vestida como a dos livros. Pelo contrário, é belíssima. Porém pouco feminina, estourada e corajosa. Já Maura é delicada, intelectual, fina e distraída. Trata-se de um programa leve, uma comédia policial sem muitas pretensões, com um clima ameno, bem diferente dos livros eletrizantes em que foi inspirada. Mas apesar da diferença, é um seriado agradável de se ver de vez em quando.



10 comentários:

  1. Tá na moda lançar série a partir de livros não?!
    The Vampire Diares, PLL, under the dome, Orange is The New Black, são outros exemplos.
    Adoooro GoT, tanto o livro como a série... mas to esperando lançar o sexto livro para ver a ultima temporada... sabe la deus o porque haaha

    Um beeijo Lara.
    Blog Meus Mundos no Mundo | | Página Coração Furta-Cor

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    1. É verdade, são tantas adaptações que dá assunto para vários posts. Obrigado pelo comentário. Bj.

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  2. Ei Ronaldo

    Eu amo a série da Tess, mas na TV ainda estou na segunda temporada, até gosto, mas acho as duas tão diferente delas nos livros que me desanima bastante.
    Game of thrones a série ficou fantástica, Dexter eu amei a série, mas só li o primeiro livro até hoje. De Bones tbm amo a série, e só li Ossos.
    As outras eu não assisti nem li o livro. :P
    abs

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  3. Olá Ronaldo.

    Você comentou uma resenha minha sobre "A Zona Morta", e vim retribuir a visita. Não acompanhei muito a série, pelo ponto que você tocou acertadamente sobre a mudança de gênero e a perca do terror (não que a série seja ruim, mas o livro é estupendo, muito difícil de ser superado).

    Um abraço. E até a próxima!

    Vidal/ Mania de Leitor

    http//:maniadeleitor.blogspot.com.br/

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  4. Eu conheço essas séries, mas nunca parei pra ver, apenas acompanho Pretty Little Liars que vem da série de livros. Eu fiquei interessada em ver A Zona Morta, parece ser bom!
    Obrigada pela visita lá no blog =D
    Beijos!

    http://contos-de-duas-doidas.blogspot.com.br/

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  5. Bacana!

    Ótimo post!

    :D

    Não sabia de Bones. Nunca assisti um episódio inteiro desta série. Mas sempre quis. kkk'

    http://gotasdexp.blogspot.com.br/

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  6. Concordo com você quando diz que é difícil acreditar que a Brennan da série Bones foi inspirada na do livro. Ela é uma doçura de pessoa mesmo ( na série, claro!)! Da personagem do livro, apenas a citação frequente dos termos técnicos mesmo! Pra mim, uma série espetacular!

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