domingo, 25 de maio de 2014

Sete livros, sete resenhas



Garota Exemplar, muito barulho por pouco
Garota Exemplar foi uma grande decepção. Não é um livro ruim, de modo algum, mas a decepção vem do fato de que eu esperava demais. Afinal, eu não encontrei no skoob nenhuma resenha negativa a respeito da obra. Uns gostaram mais, outros menos, alguns disseram que partes do livro eram arrastadas, mas ninguém o desqualificou. Até porque é uma ótima leitura, porém nada fora do comum.
O livro tem uma linguagem toda descolada, é todo metido a pop intelectual, onde tudo é muito moderninho. A mesma linguagem de um roteiro de comédia romântica. E é aí que eu comecei a identificar o motivo de tanto sucesso. Garota Exemplar, a princípio, conta a história do desaparecimento de uma mulher, cujo casamento estava em crise. A narrativa é intercalada entre o presente, que é o ponto de vista do marido e o passado, através do diário da esposa, na qual conta como se conheceram (bem naquele estilo Bridget Jones) e o seu dia a dia após o casamento. Ou seja, esse livro atrai o mesmo público que amou PS Eu te amo e devora romances cor de rosa. O início da história, a capa, o título, tudo remete à livros de cunho romântico, portanto, mesmo em se tratando de um livro de suspense, o público alvo acabou sendo outro. Garota Exemplar é um livro de suspense disfarçado de livro romântico e por isso muitos leitores que não esperavam aquelas reviravoltas ficou tão surpreso com o desenrolar da trama. Mas quem já está acostumado com autores como Jonathan Kellerman, Tess Gerritssen, Lisa Gardner e Harlan Coben, não fica mais tão impressionado. Vejam, não digo que o livro não seja bom, só que não é nada fora de série. 
SPOILERS
Outro aspecto que demonstra uma opinião tendenciosa das leitoras: Amy representa a mulher moderna que não engole uma traição e se vinga de forma triunfal. Toda mulher traída, e mesmo as que não foram, devem ter se colocado em seu lugar e se deliciado com a situação. Mas o que o público não levou em conta é que ela era uma psicopata desprezível. Ela não deve representar a mulher moderna e sim o que há de mais torpe no ser humano. Ela é rancorosa, cruel, mentirosa e obsessiva. Sem falar no final. Essa foi a maior decepção, pois senti que a autora escolheu o caminho mais fácil. Aguardei um desfecho no qual Nick virasse o jogo e desmascarasse a esposa, mas ele caiu em mais uma armadilha. Pobre Nick, pois nem o cara mais infiel do mundo merece passar a vida ao lado de uma bruaca como a Amy. Outra coisa sem sentido. Para que Amy guardava o vômito envenenado? Até onde eu pesquisei, não há material genético identificável nesse tipo de secreção, pois os ácidos do estômago o detona. Ela não poderia provar a procedência daquele líquido. Nick não saber disso era compreensível, mas sua esposa era brilhante. Por que esconder tanto uma substância que não tinha nenhum valor legal? Ponto positivo: o texto de Gillian é impecável, muito fluente, preciso e claro. Talvez me arrisque a ler outro livro dela.

Viva Para Contar, chocante do início ao fim
Uma mulher com um passado trágico, uma criança problemática, uma detetive buscando a verdade por trás de uma série de assassinatos de famílias inteiras e novas perguntas se multiplicando à cada página.A trama é um quebra cabeças que só me motivava a ler mais e mais para encontrar as peças. E à medida que tudo vai se juntando e minha visão clareando, me vi totalmente envolvido pela história. Fiquei admirado com a habilidade da autora em conseguir nos fazer desconfiar de todos em alguns momentos e também torcer para que os mesmos suspeitos fossem inocentes. Passamos a gostar dos personagens e temer pelo seu destino. No início parece não haver ligação nenhuma entre os núcleos da história, mas aos poucos os personagens vão se  aproximando, o que torna a leitura cada vez mais saborosa. Tanto que o clímax do livro se passa dentro de um hospital, onde todos os personagens estão reunidos, numa situação das  mais tensas que já li nos últimos tempos. Só acho que Lisa pecou na construção da detetive. D.D é literalmente uma morta de fome, só sabe falar em comida, é aquele tipo de mulher tão louca por sexo que chega a assustar os homens e à cada capítulo se torna mais arrogante. É uma personagem recorrente, por isso terei de trombar com ela nos próximos volumes, mas com o talento de Lisa isso é só um detalhe.  


O Preço da Vitória, um pouco mais sobre Win


Como não amar um livro com Myron Bolitar? O detetive mais charmoso, engraçado, causador e simpático da atualidade.  Trata-se do quarto volume da série. Só descobri depois de adquiri-lo, pois não li o anterior, mas em se tratando de livros independentes isso não influencia muito. Principalmente porque na série há pouca evolução na vida pessoal dos personagens. 
Contudo esse livro é bem focado em Win, outro personagem que eu amo. Engraçado, pois ele é praticamente o inverso de Myron. Elegante, frio e cruel. Apesar de ser um psicopata, ele é fascinante. Ou será que ele é tão interessante justamente por ser um psicopata? Enfim... vamos ao assunto em questão. Trata-se da investigação  do desaparecimento do filho adolescente de um casal de jogadores de golf.  Há grandes dúvidas se o caso se trata de um sequestro ou de um desaparecimento voluntário e a segunda hipótese é o palpite inicial de Myron. Aos poucos vão se encontrando ligações entre o incidente e um episódio relacionado à carreira do pai do garoto e é aí que as coisas vão ficando cada vez mais intrigantes.
Além disso, eles são parentes de Win e como o engomadinho tem sérios problemas com sua mãe, a investigação o incomoda a ponto dele se afastar e deixar o parceiro Myron se virar sozinho. Mas Myron, como o amigo cem por cento que é, ao invés de ficar chateado, se empenha em descobrir o que afastou Win de sua família e assim, tentar reaproximá-los. 
Algo que me surpreende em Harlan é como tantas reviravoltas podem caber em livros tão fininhos, mas ele consegue desenvolver tramas intrincadas sem torná-las confusas. São livros enxutos, que dá para se devorar em
questão de horas. 

       

A Garota Silenciosa, Sob as sombras de Chinatown 


 Desta vez Tess nos brindou com uma trama ambientada em Chinatown, com seus mistérios, sua cultura exótica e suas lendas milenares. O livro foge bastante ao suspense médico, gênero com o qual Tess mais se destacou, havendo poucas passagens em que as habilidades da Dra. Maura Isles sejam utilizadas. Na verdade, a legista tem pouca participação na história. Devido a prestar um testemunho de violência policial, Maura é hostilizada pela corporação, o que abala sua amizade com Rizzoli. Desta forma, a Rainha dos Mortos passa a maior parte do livro à margem dos acontecimentos, apesar de ter papel fundamental em uma descoberta que muda totalmente o rumo da investigação.
O livro então é de Rizzoli, que põe em prática todo o seu talento de detetive para desvendar uma série de mistérios que vão se emaranhando, até formar uma trama que aguça nossa curiosidade a ponto de ficarmos sedentos por cada nova pista. E é nesse transe que as páginas correm sem que se perceba. A história chega ao final com uma revelação de cair o queixo, com todos os fatos se encaixando perfeitamente como numa equação. Mas não é só de raciocínio lógico que o livro é feito. Há muita emoção, no desenrolar da trama e as motivações dos personagens são muito bem delineadas pela autora. Além disso, sendo de ascendência chinesa, acredito que esse tenha sido o livro mais pessoal de sua carreira e, sem dúvida, um dos melhores.
                       

Visões Da Morte, bem mais que um suspense médico


A capa me chamou a atenção, a informação de que se tratava de um suspense médico me fez conferir a contracapa. Quando vi as referências a Robin Cook e Tess Gerritsen tive de ler a sinopse e aí já estava fisgado.

O livro é muito envolvente. Trata-se de um assunto muito interessante que são as experiências pós morte.  Zack, um estudante cheio de dívidas sofre um acidente e  retorna do coma falando aramaico, uma língua que desconhecia completamente. O fato causa estardalhaço e para pagar as contas o rapaz aceita se submeter à experiências  que o levam a uma trilha perigosa.

No início fiquei tocado pela dedicação da mãe do personagem durante sua estada no hospital. Me empolguei com os assassinatos mirabolantes, me intriguei com as experiências de quase morte e me surpreendi com as respostas na fase final.

Pontos negativos: Forçou um pouco em algumas passagens, principalmente em relação a algumas coincidências.

Gary é meio desajeitado na construção da trama. E em alguns momentos, como quando o personagem desiste das experiências, achei que ele mudava de ideia muito facilmente. Faltava uma motivação exterior, algo que o forçasse a mudar sua opinião, o que tornaria a trama mais interessante. Mas mesmo assim é um livro delicioso.                                           


A Procurada, obra notável de Karin Alvtegen

Uma moradora de rua que após dar um golpe em um cara num hotel, é acusada de seu assassinato e é lançada numa fuga desesperada, enquanto sua foto estampa as manchetes de jornais. 

O esforço de Sybilla em manter sua dignidade, procurando locais onde pudesse tomar banho, tentando se vestir com algo melhor que trapos, guardando dinheiro para num futuro impreciso comprar a sua casa fizeram com que ela ganhasse minha simpatia. Apesar de tudo ela mantinha a esperança de sair das ruas e retomar sua vida.
 A autora descreve a realidade dos moradores de rua da Suécia sem recorrer a qualquer lugar comum. Sybilla, apesar da vida dura que leva, não é descrita como uma vítima que chegou ao fundo do poço e chafurda na própria miséria. É uma mulher que chegou numa situação limite, claro, mas não é uma coitadinha. Ela se esforça para manter-se na superfície.

Não imaginava que houvesse tanta  comunicação e organização entre os desabrigados, que trocavam informações sobre lugares secretos onde pudessem temporariamente buscar refúgio.

 Alvtegen consegue dosar bem o suspense e o drama, dividindo a trama no passado e no presente. No início temos alguns flashes da adolescência de Sybilla, vivendo num lar sem afeto, com pais controladores e egoístas que se importavam mais com as aparências do que com seu bem estar. Aos poucos o retrato de seu passado vai ficando mais nítido, as emoções da personagem ganham força e como já sabemos que ela sairia de casa, a expectativa de descobrir como e quando isso aconteceria tornam a leitura cada vez mais empolgante.

 Quanto ao suspense, a perseguição de Sybilla pelo crime que não cometeu vai se acirrando e o cerco se fechando. Ela já não sabe mais em quem confiar, o dinheiro que tanto custou a juntar começa a diminuir e não tem ideia de como sair dessa.

 Mas o que mais me tocou no livro foi a sua amizade com o adolescente Peter. Uma relação sincera, bonita e sem segundas intenções. Quando ambos se conhecem, a trama ganha um novo fôlego, com muitos momentos engraçados e um ritmo alucinante.

 A ação vai até o final, que para mim foi satisfatório, coerente com a história e cheio de emoção.

 A capa é linda, com cores suaves, a diagramação é ótima, com letras grandes, bem espaçadas, tornando a leitura ágil e para completar o papel é amarelado. Ou seja, é perfeito em todos os sentidos.  

             





Cuco, tinha tudo para se tornar um clássico


 A sinopse do livro me deixou alucinado para lê-lo. Como não se interessar pela história de uma mulher que acolhe em sua casa a amiga que ficou recentemente viúva e aos poucos a vê tomando o seu lugar? É aquele tipo de suspense que mais me atrai, suspense doméstico. A escrita de Julia é primorosa, tem uma fluência agradável, é quase poética. Os personagens muito bem retratados. Me apaixonei por Anne, a filha da protagonista Rose, uma menina madura para sua idade, que enfrentava as mudanças causadas pela chegada dos novos hóspedes com muita boa vontade. A trama corre lentamente, com um cuidado em descrever de modo vivo as paisagens, os cenários, as características psicológicas de alguns personagens. Logo o quadro fica nítido. Um marido fraco, uma esposa que guarda um grave segredo, uma hóspede egoísta com dois filhos sedentos de afeto. Com todos esses elementos a história tinha tudo para render, mas não foi o que aconteceu. 
Conforme a história foi se desenrolando, ou enrolando, percebi que o livro não chegaria a lugar nenhum. A trama lança diversos mistérios que ficam sem resposta, a protagonista toma algumas atitudes que me fizeram perder qualquer empatia por ela e o mais irritante, a autora parece evitar as cenas do conflito, como se não conseguisse escrevê-las. É enervante a frequência em que os personagens estão prestes a explodir e de uma hora para outra desviam sua atenção pra a arrumação da casa, ou para a paisagem ao redor. Julia conseguiu desandar a receita de uma maneira revoltante, pois o livro tinha muito potencial. Ela mutilou sua própria obra e isso foi imperdoável.Contudo notei que as opiniões se dividem. Alguns detestaram e outros adoraram o livro, sem meio termo. Por isso, se quiserem se arriscar, boa sorte.

11 comentários:

  1. Obrigada apor comentar no meu blog. Li três dos livros citados. Garota Exemplar, Viva para contar e Cuco. Concordo em gênero numero e grau com sua opinião a respeito deles. Em garota exemplar eu que sou contra traição me vi torcendo pelo Nick conseguir dar uma virada na história também. Ainda não consegui ver porque a Amy conseguiu tantos defensores, ela é intragável. Em Cuco achei que a autora se perdeu também. Eu torcendo para acontecer logo a cena do confronto entre as duas e me decepcionei. Parabéns pela postagem.

    Blog Prefácio

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  2. Concordo plenamente com tudo sobre Garota Exemplar. Está claro que o livro foi todo produzido no intuito de atrair um público incauto e surpreende-lo com uma trama muito bem elaborada. Isso não desmerece a obra, mas explica o sucesso. Também esperava bem mais.
    E não achei tão original assim. O nome desse subgênero é este que você mencionou na resenha de Cuco, suspense doméstico. Há muitos suspenses domésticos melhores que Garota Exemplar. Rebecca, de Daphne Du Maurier, Noite Sem Fim, de Agatha Christhie, Obssessão de Erica Spindler e até a sátira Mulheres Perfeitas de Ira Levin. A única vantagem dessa Gyllian foi ter uma ótima equipe de marketing.

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  3. Sou louca pra ler os livros de Myron Bolitar. Li Alta Tensão e adorei. Mas quero a sequência certa!!!

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  4. Aqui no Brasil Nivia, os livros de Harlan Coben não são lançados na ordem, por esse motivo eu te indico o mais o preço da vitória. ótimo blog.
    http://estantepolicial.blogspot.com.br

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  5. Ronaldo, obrigado pela visita lá no blog e curti a resenha de Garota Exemplar esse é meu livro favorito da autora até agora, o segundo livro que foi publicado esse também é muito loko... mas tenho amor eterno por Amy e Nick (: rs

    lumenseries.blogspot.com.br

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  6. Já to seguindo seu blog pra sempre vim ver as novidades rsrsr esqueci de falar no comentário de cima rsrs falow

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  7. Olá Ronaldo! Parabéns pelo blog, estou seguindo e aprecio muito os seus comentários. Comentei um pouco sobre "Cuco" no meu blog e concordo plenamente com você, apesar de ter gostado muito do livro.

    Abraço!

    http://eventualobradeficcao.blogspot.com.br/2015/09/resenha-cuco-por-julia-crouch.html

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    1. Eu não gostei, conforme está na minha resenha. Vou visitar seu blog. Obrigado.

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