domingo, 4 de maio de 2014

Muito além do Vale das Bonecas


Apesar de ter publicado poucos livros, seis no total, Jacqueline Susan foi uma das autoras mais vendidas na década de 60 e todo esse sucesso se deve principalmente ao romance O Vale das Bonecas, uma obra que, apesar de tratar de um assunto frequentemente explorado na época, os bastidores do show business, trouxe uma abordagem diferente. A linguagem era a mesma dos best sellers daquela década: texto simples, muitos diálogos, cenários luxuosos e nenhuma cerimônia para falar sobre sexo. Porém o diferencial era que as protagonistas eram femininas. Até então a maioria dos best sellers tinham uma figura masculina a conduzir a trama, geralmente homens fortes, ambiciosos e charmosos que chegavam detonando e mostrando quem é que mandava no pedaço. Era o caso dos livros de Harold Robbins, Irving Wallace, Morris West e muitos outros.
E então chega uma escritora ocupando o espaço que era dominado pelos homens, com uma história ambientada em Nova York, cenário dominado pelos autores e personagens do sexo masculino e solta três garotas com seus sonhos, amores e desilusões em meio à toda aquela testosterona.
Apesar do filme ter feito sucesso nos anos 70,
em 2011 houve o projeto de uma série de TV
pela NBC que nunca saiu do papel.
O público feminino se identificou com Anne, Neely e Jennifer, que representavam a mulher moderna, criando projetos, lutando por um lugar naquele novo mundo que começava a se formar, passando até mesmo por cima dos princípios éticos para chegar ao topo. Mas mesmo vivendo naquela selva, não deixavam de ser mulheres. Se apaixonavam, se decepcionavam, eram obrigadas a fazer escolhas, a renunciarem sua carreira, ou seu amor ou até mesmo sua dignidade em nome de um sonho.
E nem sempre conseguiam suportar essa guerra diária sem uma ajuda. É aí que entram as "bonecas", os comprimidinhos que as faziam fugir da realidade quando as coisas não iam bem. As pílulas começaram a ser usadas como válvula de escape, mas logo se tornaram uma necessidade tão vital quanto a água para essas mulheres.
E é disso que o livro trata. Da força e da fragilidade da mulher. Das escolhas que cada um é obrigado a fazer e da dificuldade em aceitar a derrota. De preferir sofrer ao lado uma pessoa do que deixá-la seguir seu caminho. É um livro que apesar de parecer superficial, é muito reflexivo. O tipo de livro que à cada vez que se lê, traz uma mensagem nova.

Mas essa não é uma característica apenas de O vale das Bonecas. Uma vez só é pouco, outro grande sucesso da autora, também dá algumas belas lições de vida.
Li esse romance há cerca de 14 anos e após encontrar algumas resenhas na internet, me deu vontade de relê-lo. 
Foi impressionante como desta vez pude sentir com muito mais intensidade, e até com conhecimento de causa, os dramas dos personagens. Reler um livro é sempre um ótimo meio de medir o quanto você amadureceu desde a última vez em que o leu.
Pude compreender melhor as motivações dos personagens e ter muito mais emoção durante a leitura. 
Refleti muito sobre a angústia que muitas vezes nos afoga num mar de incertezas. Entendi que dinheiro ajuda e muito, mas podemos ser felizes sem ele. E concordei plenamente com a afirmação de que ser feliz uma vez só é pouco.
E dessa vez a minha interpretação do final do livro foi diferente.
Sem lançar spoilers, posso dizer que da primeira vez a explicação para o destino de January foi a mais fantástica proposta pela autora, dadas as teorias do personagem Hugh.
Mas dessa vez, me deixei levar mais pelas alucinações de January com o homem misterioso. Acredito que ele apenas conseguiu fazer o que tinha tentado no quarto dela horas antes.
Quem leu sabe do que estou falando, quem não leu, devorem essas quatrocentas e tantas páginas porque valerá a pena.

A Máquina do Amor, por sua vez, foi uma obra que não não me impressionou nem um pouco. O estilo é o mesmo dos outros dois, mas faltou essência. O personagem principal, como o próprio título diz, era alguém que agia de forma mecânica no que se referia ao relacionamento com as mulheres, havia algo em seu passado que justificava essa frieza e era esse o gancho do livro. Porém, não me envolveu. Talvez o romance não tenha sido tão bom por se tratar do universo masculino. Há autores que conseguem compreender o sexo oposto e retratá-lo muito bem, mas não é o caso de Jacqueline Susann. Sua praia era destrinchar o coração feminino. 


Yargo é outro clássico. Um livro que considero especial. Trata-se da história de uma mulher abduzida e levada a um planeta com uma civilização socialmente avançada, que aprendeu a  reprimir os sentimentos e assim, se tornar um exemplo de sociedade. 
A história foi escrita na década de 50 e por isso há muitos absurdos em relação à alguns conhecimentos científicos. Pra se ter uma ideia, a terráquea viaja para Vênus e sobrevive sem uma máscara de oxigênio. 
Mas vejo esse livro mais como uma fábula, uma alegoria que fala do amor de modo piegas, mas muito tocante.
Toda noite Josephine e Dolores, seus outros dois livros,  que ainda não li, se tratam respectivamente da história de sua cachorrinha e da vida de uma primeira dama que vê sua vida virar do avesso ao ficar viúva. Dizem que foi inspirado na vida de Jackeline Kennedy Onassis.
Jacqueline Susan morreu em 1974, aos 54 anos, de câncer de mama.    
Rae Lawrence escreveu uma sequência ambientada nos anos 80.
 Não se sabe se foi baseado nos rascunhos que
Jacqueline escreveu em 1974.   


                                               
           

3 comentários:

  1. Li O Vale das Bonecas mas nem me lembro, minha irmã tem A Maquina do Amor mas nunca li. Agora, Yargo eu sou apaixonada!!! Já li duas vezes.
    Também recomendo!!!

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  2. Fiquei muito triste com o comentário sobre a Máquina do Amor pois é meu livro predileto, porém devo admitir que como mulher realmente não devo compreender a "essência masculina" que descreve no comentário mas gosto que como a Jacqueline relata ♡♡♡

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