domingo, 25 de maio de 2014

Sete livros, sete resenhas



Garota Exemplar, muito barulho por pouco
Garota Exemplar foi uma grande decepção. Não é um livro ruim, de modo algum, mas a decepção vem do fato de que eu esperava demais. Afinal, eu não encontrei no skoob nenhuma resenha negativa a respeito da obra. Uns gostaram mais, outros menos, alguns disseram que partes do livro eram arrastadas, mas ninguém o desqualificou. Até porque é uma ótima leitura, porém nada fora do comum.
O livro tem uma linguagem toda descolada, é todo metido a pop intelectual, onde tudo é muito moderninho. A mesma linguagem de um roteiro de comédia romântica. E é aí que eu comecei a identificar o motivo de tanto sucesso. Garota Exemplar, a princípio, conta a história do desaparecimento de uma mulher, cujo casamento estava em crise. A narrativa é intercalada entre o presente, que é o ponto de vista do marido e o passado, através do diário da esposa, na qual conta como se conheceram (bem naquele estilo Bridget Jones) e o seu dia a dia após o casamento. Ou seja, esse livro atrai o mesmo público que amou PS Eu te amo e devora romances cor de rosa. O início da história, a capa, o título, tudo remete à livros de cunho romântico, portanto, mesmo em se tratando de um livro de suspense, o público alvo acabou sendo outro. Garota Exemplar é um livro de suspense disfarçado de livro romântico e por isso muitos leitores que não esperavam aquelas reviravoltas ficou tão surpreso com o desenrolar da trama. Mas quem já está acostumado com autores como Jonathan Kellerman, Tess Gerritssen, Lisa Gardner e Harlan Coben, não fica mais tão impressionado. Vejam, não digo que o livro não seja bom, só que não é nada fora de série. 
SPOILERS
Outro aspecto que demonstra uma opinião tendenciosa das leitoras: Amy representa a mulher moderna que não engole uma traição e se vinga de forma triunfal. Toda mulher traída, e mesmo as que não foram, devem ter se colocado em seu lugar e se deliciado com a situação. Mas o que o público não levou em conta é que ela era uma psicopata desprezível. Ela não deve representar a mulher moderna e sim o que há de mais torpe no ser humano. Ela é rancorosa, cruel, mentirosa e obsessiva. Sem falar no final. Essa foi a maior decepção, pois senti que a autora escolheu o caminho mais fácil. Aguardei um desfecho no qual Nick virasse o jogo e desmascarasse a esposa, mas ele caiu em mais uma armadilha. Pobre Nick, pois nem o cara mais infiel do mundo merece passar a vida ao lado de uma bruaca como a Amy. Outra coisa sem sentido. Para que Amy guardava o vômito envenenado? Até onde eu pesquisei, não há material genético identificável nesse tipo de secreção, pois os ácidos do estômago o detona. Ela não poderia provar a procedência daquele líquido. Nick não saber disso era compreensível, mas sua esposa era brilhante. Por que esconder tanto uma substância que não tinha nenhum valor legal? Ponto positivo: o texto de Gillian é impecável, muito fluente, preciso e claro. Talvez me arrisque a ler outro livro dela.

Viva Para Contar, chocante do início ao fim
Uma mulher com um passado trágico, uma criança problemática, uma detetive buscando a verdade por trás de uma série de assassinatos de famílias inteiras e novas perguntas se multiplicando à cada página.A trama é um quebra cabeças que só me motivava a ler mais e mais para encontrar as peças. E à medida que tudo vai se juntando e minha visão clareando, me vi totalmente envolvido pela história. Fiquei admirado com a habilidade da autora em conseguir nos fazer desconfiar de todos em alguns momentos e também torcer para que os mesmos suspeitos fossem inocentes. Passamos a gostar dos personagens e temer pelo seu destino. No início parece não haver ligação nenhuma entre os núcleos da história, mas aos poucos os personagens vão se  aproximando, o que torna a leitura cada vez mais saborosa. Tanto que o clímax do livro se passa dentro de um hospital, onde todos os personagens estão reunidos, numa situação das  mais tensas que já li nos últimos tempos. Só acho que Lisa pecou na construção da detetive. D.D é literalmente uma morta de fome, só sabe falar em comida, é aquele tipo de mulher tão louca por sexo que chega a assustar os homens e à cada capítulo se torna mais arrogante. É uma personagem recorrente, por isso terei de trombar com ela nos próximos volumes, mas com o talento de Lisa isso é só um detalhe.  


O Preço da Vitória, um pouco mais sobre Win


Como não amar um livro com Myron Bolitar? O detetive mais charmoso, engraçado, causador e simpático da atualidade.  Trata-se do quarto volume da série. Só descobri depois de adquiri-lo, pois não li o anterior, mas em se tratando de livros independentes isso não influencia muito. Principalmente porque na série há pouca evolução na vida pessoal dos personagens. 
Contudo esse livro é bem focado em Win, outro personagem que eu amo. Engraçado, pois ele é praticamente o inverso de Myron. Elegante, frio e cruel. Apesar de ser um psicopata, ele é fascinante. Ou será que ele é tão interessante justamente por ser um psicopata? Enfim... vamos ao assunto em questão. Trata-se da investigação  do desaparecimento do filho adolescente de um casal de jogadores de golf.  Há grandes dúvidas se o caso se trata de um sequestro ou de um desaparecimento voluntário e a segunda hipótese é o palpite inicial de Myron. Aos poucos vão se encontrando ligações entre o incidente e um episódio relacionado à carreira do pai do garoto e é aí que as coisas vão ficando cada vez mais intrigantes.
Além disso, eles são parentes de Win e como o engomadinho tem sérios problemas com sua mãe, a investigação o incomoda a ponto dele se afastar e deixar o parceiro Myron se virar sozinho. Mas Myron, como o amigo cem por cento que é, ao invés de ficar chateado, se empenha em descobrir o que afastou Win de sua família e assim, tentar reaproximá-los. 
Algo que me surpreende em Harlan é como tantas reviravoltas podem caber em livros tão fininhos, mas ele consegue desenvolver tramas intrincadas sem torná-las confusas. São livros enxutos, que dá para se devorar em
questão de horas. 

       

A Garota Silenciosa, Sob as sombras de Chinatown 


 Desta vez Tess nos brindou com uma trama ambientada em Chinatown, com seus mistérios, sua cultura exótica e suas lendas milenares. O livro foge bastante ao suspense médico, gênero com o qual Tess mais se destacou, havendo poucas passagens em que as habilidades da Dra. Maura Isles sejam utilizadas. Na verdade, a legista tem pouca participação na história. Devido a prestar um testemunho de violência policial, Maura é hostilizada pela corporação, o que abala sua amizade com Rizzoli. Desta forma, a Rainha dos Mortos passa a maior parte do livro à margem dos acontecimentos, apesar de ter papel fundamental em uma descoberta que muda totalmente o rumo da investigação.
O livro então é de Rizzoli, que põe em prática todo o seu talento de detetive para desvendar uma série de mistérios que vão se emaranhando, até formar uma trama que aguça nossa curiosidade a ponto de ficarmos sedentos por cada nova pista. E é nesse transe que as páginas correm sem que se perceba. A história chega ao final com uma revelação de cair o queixo, com todos os fatos se encaixando perfeitamente como numa equação. Mas não é só de raciocínio lógico que o livro é feito. Há muita emoção, no desenrolar da trama e as motivações dos personagens são muito bem delineadas pela autora. Além disso, sendo de ascendência chinesa, acredito que esse tenha sido o livro mais pessoal de sua carreira e, sem dúvida, um dos melhores.
                       

Visões Da Morte, bem mais que um suspense médico


A capa me chamou a atenção, a informação de que se tratava de um suspense médico me fez conferir a contracapa. Quando vi as referências a Robin Cook e Tess Gerritsen tive de ler a sinopse e aí já estava fisgado.

O livro é muito envolvente. Trata-se de um assunto muito interessante que são as experiências pós morte.  Zack, um estudante cheio de dívidas sofre um acidente e  retorna do coma falando aramaico, uma língua que desconhecia completamente. O fato causa estardalhaço e para pagar as contas o rapaz aceita se submeter à experiências  que o levam a uma trilha perigosa.

No início fiquei tocado pela dedicação da mãe do personagem durante sua estada no hospital. Me empolguei com os assassinatos mirabolantes, me intriguei com as experiências de quase morte e me surpreendi com as respostas na fase final.

Pontos negativos: Forçou um pouco em algumas passagens, principalmente em relação a algumas coincidências.

Gary é meio desajeitado na construção da trama. E em alguns momentos, como quando o personagem desiste das experiências, achei que ele mudava de ideia muito facilmente. Faltava uma motivação exterior, algo que o forçasse a mudar sua opinião, o que tornaria a trama mais interessante. Mas mesmo assim é um livro delicioso.                                           


A Procurada, obra notável de Karin Alvtegen

Uma moradora de rua que após dar um golpe em um cara num hotel, é acusada de seu assassinato e é lançada numa fuga desesperada, enquanto sua foto estampa as manchetes de jornais. 

O esforço de Sybilla em manter sua dignidade, procurando locais onde pudesse tomar banho, tentando se vestir com algo melhor que trapos, guardando dinheiro para num futuro impreciso comprar a sua casa fizeram com que ela ganhasse minha simpatia. Apesar de tudo ela mantinha a esperança de sair das ruas e retomar sua vida.
 A autora descreve a realidade dos moradores de rua da Suécia sem recorrer a qualquer lugar comum. Sybilla, apesar da vida dura que leva, não é descrita como uma vítima que chegou ao fundo do poço e chafurda na própria miséria. É uma mulher que chegou numa situação limite, claro, mas não é uma coitadinha. Ela se esforça para manter-se na superfície.

Não imaginava que houvesse tanta  comunicação e organização entre os desabrigados, que trocavam informações sobre lugares secretos onde pudessem temporariamente buscar refúgio.

 Alvtegen consegue dosar bem o suspense e o drama, dividindo a trama no passado e no presente. No início temos alguns flashes da adolescência de Sybilla, vivendo num lar sem afeto, com pais controladores e egoístas que se importavam mais com as aparências do que com seu bem estar. Aos poucos o retrato de seu passado vai ficando mais nítido, as emoções da personagem ganham força e como já sabemos que ela sairia de casa, a expectativa de descobrir como e quando isso aconteceria tornam a leitura cada vez mais empolgante.

 Quanto ao suspense, a perseguição de Sybilla pelo crime que não cometeu vai se acirrando e o cerco se fechando. Ela já não sabe mais em quem confiar, o dinheiro que tanto custou a juntar começa a diminuir e não tem ideia de como sair dessa.

 Mas o que mais me tocou no livro foi a sua amizade com o adolescente Peter. Uma relação sincera, bonita e sem segundas intenções. Quando ambos se conhecem, a trama ganha um novo fôlego, com muitos momentos engraçados e um ritmo alucinante.

 A ação vai até o final, que para mim foi satisfatório, coerente com a história e cheio de emoção.

 A capa é linda, com cores suaves, a diagramação é ótima, com letras grandes, bem espaçadas, tornando a leitura ágil e para completar o papel é amarelado. Ou seja, é perfeito em todos os sentidos.  

             





Cuco, tinha tudo para se tornar um clássico


 A sinopse do livro me deixou alucinado para lê-lo. Como não se interessar pela história de uma mulher que acolhe em sua casa a amiga que ficou recentemente viúva e aos poucos a vê tomando o seu lugar? É aquele tipo de suspense que mais me atrai, suspense doméstico. A escrita de Julia é primorosa, tem uma fluência agradável, é quase poética. Os personagens muito bem retratados. Me apaixonei por Anne, a filha da protagonista Rose, uma menina madura para sua idade, que enfrentava as mudanças causadas pela chegada dos novos hóspedes com muita boa vontade. A trama corre lentamente, com um cuidado em descrever de modo vivo as paisagens, os cenários, as características psicológicas de alguns personagens. Logo o quadro fica nítido. Um marido fraco, uma esposa que guarda um grave segredo, uma hóspede egoísta com dois filhos sedentos de afeto. Com todos esses elementos a história tinha tudo para render, mas não foi o que aconteceu. 
Conforme a história foi se desenrolando, ou enrolando, percebi que o livro não chegaria a lugar nenhum. A trama lança diversos mistérios que ficam sem resposta, a protagonista toma algumas atitudes que me fizeram perder qualquer empatia por ela e o mais irritante, a autora parece evitar as cenas do conflito, como se não conseguisse escrevê-las. É enervante a frequência em que os personagens estão prestes a explodir e de uma hora para outra desviam sua atenção pra a arrumação da casa, ou para a paisagem ao redor. Julia conseguiu desandar a receita de uma maneira revoltante, pois o livro tinha muito potencial. Ela mutilou sua própria obra e isso foi imperdoável.Contudo notei que as opiniões se dividem. Alguns detestaram e outros adoraram o livro, sem meio termo. Por isso, se quiserem se arriscar, boa sorte.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sete mulheres que as mulheres amam...

Feministas sem deixarem de ser femininas, modernas, mas sonhadoras, elas se tornaram símbolos de orgulho de todo um gênero. Nelas as mulheres se espelham, com elas se emocionam e torcem à cada página para que levem a melhor.

Tracy Whitney

Se perguntar à 10 mulheres qual é o melhor livro de Sidney Sheldon 9 delas dirão que é Se Houver Amanhã. E realmente o livro é muito bom. Mas o segredo desta obra ter agradado tanto as mulheres foi a personagem principal, Tracy Whitney. De uma jovem ingênua prestes a se casar com o herdeiro de uma família tradicional a uma das mulheres mais procuradas do mundo, a trajetória dessa personagem é no mínimo rocambolesca. Pode soar estranho uma vigarista se tornar um exemplo para um número absurdo de leitoras. Mas o sucesso de Tracy é ter levado tantos tombos sem se lamentar, sem se fazer de vítima, sem se dar por vencida. Uma grande personagem entre tantas que Sheldon nos trouxe.



Aurélia Camargo

Uma mulher que em pleno século 19 teve a ousadia de comprar um marido. Aurélia Camargo sofreu horrores por causa de Fernando Seixas, que a trocou por um dote, mas deu a volta por cima. Herdou uma bela grana e se tornou uma figura badalada na corte. Pôde-se então dar ao luxo de redigir um contrato e escolher seu antigo noivo para desempenhar a função de marido. A história de Aurelia foi reinventada diversas vezes, não só na literatura, como no cinema, teatro e principalmente nas novelas de TV. 






Bridget Jones

É muito fácil se identificar com Bridget Jones, pois ela tem um pouco de cada mulher tanto por dentro quanto por fora. Na faixa dos trinta anos, as suas prioridades são emagrecer, arrumar um namorado e deixar de fumar. Não necessariamente nessa mesma ordem.
Sua fixação em ter um corpo perfeito, a preocupação com a beleza, pode fazer com que ela soe fútil no início do livro, mas Bridget é apenas uma pessoa que tem coragem de ser verdadeira, que não se acomoda com a hipocrisia de que o que vale é o interior e corre atrás de sua felicidade. Às vezes tropeça, mas corre.






Celie

É impossível não sofrer com Celie em sua trajetória de luta, dor, perda e humilhação. Nascida numa família totalmente desestabilizada, abusada sexualmente pelo pai, lutando para impedir que o mesmo aconteça com sua irmã, ela acaba sendo afastada de tudo e sofre com a solidão. A única maneira de diminuir sua desolação é escrever cartas. Primeiro às dirige a Deus, depois à sua irmã, que virou missionária na África. Como sempre levou bordoadas da vida, a visão que tem de si mesma é aquela que a sociedade projeta sobre ela: feia, burra, miserável. Mas o amor de uma outra mulher fez com que enxergasse suas qualidades e aos poucos provasse ao outros e, principalmente à si própria, o seu valor. Um romance que além de exaltar o feminismo, é um retrato da opressão aos negros no início do século XX.



Hazel

Mesmo sofrendo de um câncer, ela consegue sorrir, xingar e amar. Hazel é uma guerreira, que não se deixa abater pela doença e dá uma lição de positivismo. Irreverente aos extremos, garante boas risadas e tem uma qualidade determinante para ser querida pelo público: é humana. Ela tem suas qualidades inquestionáveis, mas também tem defeitos como qualquer pessoa. Em alguns momentos é até insuportável. Mas nem por isso deixa de ser apaixonante.

Jane Eyre

Símbolo da emancipação feminina, Jane Eyre é um dos personagens mais emblemáticos da literatura. O livro conta sua história desde a infância sofrida, passando pelo período em que estuda num colégio para moças, até se tornar professora e conseguir um emprego como preceptora numa mansão. Lá se apaixona e vive um romance complicado, com todos os elementos dos livros da época. Porém Jane é muito diferente de suas contemporâneas. É contestadora, irrequieta, independente. Mesmo órfã, conseguiu se tornar professora e não se intimidou em deixar o colégio e enfrentar o mundo. E o mais importante, não é descrita como uma bela mulher. Jane nos conquista com sua capacidade de demonstrar coragem, mas não perde seu recato, sua feminilidade em não sentir receio de demonstrar sua cultura, sua inteligência arguta e em fugir a qualquer estereótipo. Pode-se dizer que Jane Eyre é uma heroína na medida certa.


       
Tieta do Agreste

Expulsa de sua cidade pelo próprio pai debaixo de pancada, Antonieta Esteves voltou triunfantemente vinte anos depois, linda, motorizada e com uma conta bancária que despertou a ganância daqueles que a desprezaram. Tieta representa o espírito livre, a cabrita que seguia seus instintos, a mulher que amava sem medo.  Trouxe a luz ao seu povo tanto no sentido literal quanto no figurado, iluminando as ruas de sua cidade natal e a vida daquelas pessoas, com sua alegria, sua exuberância e sua modernidade. Uma mulher admirável que apesar  do desejo de vingança por toda a humilhação sofrida em sua juventude, guardava um coração generoso e espalhou muita felicidade à sua volta.
                                             


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Sete livros que marcaram gerações

Livros em lista

Há livros que marcam a nossa vida. Mas alguns transcendem isso, marcam toda uma geração, formando opiniões, contestando a situação sócio-cultural do momento e o mais importante, criando novos leitores. Seja por uma identificação sincera com o tema abordado ou apenas por seguirem a moda, sempre há um novo público encantado com um novo sucesso e que acaba sendo fisgado pela paixão de ler.

Pollyanna

A menina que conseguia ver o lado bom de tudo conquistou o coração dos leitores de modo tão definitivo, que seu nome se tornou um adjetivo. Quando alguém é otimista demais, podemos chamá-lo de Pollyana. Uma história que fala sobre a necessidade de se adaptar às mudanças, da importância do desapego, de estar sempre de coração aberto para o que há de novo. Se a novidade for ruim, recebê-la com um sorriso vai torná-la menos assustadora. E se for boa, o entusiasmo só tem a somar. Uma demonstração de tudo o que há de melhor no ser humano. Amor, solidariedade, pureza, compaixão, são apenas algumas das qualidades que Pollyana desperta com seu jogo do contente.



O Diário de Anne Frank

Um dos mais dramáticos relatos da Segunda Guerra Mundial. Anne Frank descreve o período em que ela e sua família viveram escondidos no sótão do antigo escritório de seu pai, enquanto lá fora a perseguição aos judeus se tornava cada vez mais intensa. É impressionante a maturidade desta adolescente perante às mudanças drásticas a que foi submetida. Tudo era muito difícil entre aquelas paredes. A comida escassa, a convivência forçada, o medo de serem descobertos, tudo tornava a tensão quase palpável. Mas Anne conseguia suportar aquele período com uma resignação admirável. Mais do que uma vítima do Holocausto, Anne se tornou um ícone da liberdade, da justiça e da busca pela paz.



Eu, Cristiane F.


O mais triste nesse livro é o paradoxo que existe no fato de um ser humano viver tamanha degradação numa fase em que seu corpo e sua mente estão desabrochando. Mas realmente a adolescência é um momento de fragilidade do ser humano, quando surgem tantas dúvidas, tanta necessidade de uma identidade e tantas influências. É difícil apontar quem desencadeia uma tragédia como essa. Se é a criação, o lar desestruturado, as más companhias ou uma tendência genética em ceder aos vícios e tentações. Contudo, conhecer a história dessa jovem é uma forma de abrir os olhos da sociedade ao quanto esse poço pode ser fundo e tão rápida pode ser a queda. Um livro que ficou conhecido pela crueza com que expõe uma realidade que está perto de todos nós.





O Pequeno Príncipe

Tanto conteúdo num livro tão curto. São menos de cem páginas que passam voando pelos olhos, mas cuja mensagem fica gravada no coração por toda a vida. Tanta coisa importante dita com tamanha simplicidade. Ler O Pequeno Príncipe é ver o mundo com os olhos de uma criança, quando tudo tem mais gosto, as flores tem mais cores, o dia tem mais de 24 horas e até mesmo os monstros vão embora quando o sol entra pela janela. Assim como não há idade para se ler O Pequeno Príncipe, não há limite de releituras. É um livro que te entretem, te orienta e te conforta.
                                           


Admirável Mundo Novo

Uma crítica social disfarçada de ficcção científica, que criou fascínio não só nos fãs desse gênero, como do público de um modo geral. Aldous Huxley descreve um mundo onde a estabilidade social é alcançada à custa da erradicação das emoções. E se alguém precisa quebrar o tédio, basta ingerir uma pílula de soma, a droga da felicidade, acessível  a todos e sem efeitos colaterais. É difícil ler esse livro e não parar para pensar  na seguinte questão: vale a pena viver sem sentir, ou antes sofrer do que não sentir nada?







Orgulho e Preconceito

Há 200 anos, só havia uma possibilidade para a ascensão financeira de uma mulher: um bom casamento. Os casamentos nas classes mais altas eram sempre arranjados, eram  contratos financeiros. Não existia essa de casar por amor. Mas Elizabeth Bennet  veio questionar toda essa “tradição”. Pode-se dizer que a protagonista criada por Jane Austen foi uma das primeiras feministas. Não uma feminista radical, capaz de queimar sutiã em praça pública, não uma caricatura, mas uma mulher que desdenhava as convenções sociais de sua época e acreditava que poderia ser feliz seguindo seus próprios princípios. Se hoje parece mais uma história romântica entre tantas, na época em que foi lançado foi um raio de luz na mente fechada daquela sociedade tão conservadora.



Harry Potter e a Pedra Filosofal

Esse bruxinho foi o responsável por uma grande mágica, a de transformar crianças em leitores vorazes. Sempre existiram livros infanto juvenis, mas nenhum deles atraiu um público tão grande e fiel como o de Potter. Pois não se trata de apenas um livro, mas de uma série, que levou anos e continuou fazendo sucesso até que o final inevitável  chegou, para tristeza de todos nós. J. K. Rowling não se aposentou, continua escrevendo, porém se aventurou num outro estilo e até que vem sendo bem recebida pela crítica. Mas ela sempre será a mãe de Harry Potter e se hoje temos um aumento exponencial de apaixonados por livros no mundo todo, ela é a maior responsável.

domingo, 4 de maio de 2014

Muito além do Vale das Bonecas


Apesar de ter publicado poucos livros, seis no total, Jacqueline Susan foi uma das autoras mais vendidas na década de 60 e todo esse sucesso se deve principalmente ao romance O Vale das Bonecas, uma obra que, apesar de tratar de um assunto frequentemente explorado na época, os bastidores do show business, trouxe uma abordagem diferente. A linguagem era a mesma dos best sellers daquela década: texto simples, muitos diálogos, cenários luxuosos e nenhuma cerimônia para falar sobre sexo. Porém o diferencial era que as protagonistas eram femininas. Até então a maioria dos best sellers tinham uma figura masculina a conduzir a trama, geralmente homens fortes, ambiciosos e charmosos que chegavam detonando e mostrando quem é que mandava no pedaço. Era o caso dos livros de Harold Robbins, Irving Wallace, Morris West e muitos outros.
E então chega uma escritora ocupando o espaço que era dominado pelos homens, com uma história ambientada em Nova York, cenário dominado pelos autores e personagens do sexo masculino e solta três garotas com seus sonhos, amores e desilusões em meio à toda aquela testosterona.
Apesar do filme ter feito sucesso nos anos 70,
em 2011 houve o projeto de uma série de TV
pela NBC que nunca saiu do papel.
O público feminino se identificou com Anne, Neely e Jennifer, que representavam a mulher moderna, criando projetos, lutando por um lugar naquele novo mundo que começava a se formar, passando até mesmo por cima dos princípios éticos para chegar ao topo. Mas mesmo vivendo naquela selva, não deixavam de ser mulheres. Se apaixonavam, se decepcionavam, eram obrigadas a fazer escolhas, a renunciarem sua carreira, ou seu amor ou até mesmo sua dignidade em nome de um sonho.
E nem sempre conseguiam suportar essa guerra diária sem uma ajuda. É aí que entram as "bonecas", os comprimidinhos que as faziam fugir da realidade quando as coisas não iam bem. As pílulas começaram a ser usadas como válvula de escape, mas logo se tornaram uma necessidade tão vital quanto a água para essas mulheres.
E é disso que o livro trata. Da força e da fragilidade da mulher. Das escolhas que cada um é obrigado a fazer e da dificuldade em aceitar a derrota. De preferir sofrer ao lado uma pessoa do que deixá-la seguir seu caminho. É um livro que apesar de parecer superficial, é muito reflexivo. O tipo de livro que à cada vez que se lê, traz uma mensagem nova.

Mas essa não é uma característica apenas de O vale das Bonecas. Uma vez só é pouco, outro grande sucesso da autora, também dá algumas belas lições de vida.
Li esse romance há cerca de 14 anos e após encontrar algumas resenhas na internet, me deu vontade de relê-lo. 
Foi impressionante como desta vez pude sentir com muito mais intensidade, e até com conhecimento de causa, os dramas dos personagens. Reler um livro é sempre um ótimo meio de medir o quanto você amadureceu desde a última vez em que o leu.
Pude compreender melhor as motivações dos personagens e ter muito mais emoção durante a leitura. 
Refleti muito sobre a angústia que muitas vezes nos afoga num mar de incertezas. Entendi que dinheiro ajuda e muito, mas podemos ser felizes sem ele. E concordei plenamente com a afirmação de que ser feliz uma vez só é pouco.
E dessa vez a minha interpretação do final do livro foi diferente.
Sem lançar spoilers, posso dizer que da primeira vez a explicação para o destino de January foi a mais fantástica proposta pela autora, dadas as teorias do personagem Hugh.
Mas dessa vez, me deixei levar mais pelas alucinações de January com o homem misterioso. Acredito que ele apenas conseguiu fazer o que tinha tentado no quarto dela horas antes.
Quem leu sabe do que estou falando, quem não leu, devorem essas quatrocentas e tantas páginas porque valerá a pena.

A Máquina do Amor, por sua vez, foi uma obra que não não me impressionou nem um pouco. O estilo é o mesmo dos outros dois, mas faltou essência. O personagem principal, como o próprio título diz, era alguém que agia de forma mecânica no que se referia ao relacionamento com as mulheres, havia algo em seu passado que justificava essa frieza e era esse o gancho do livro. Porém, não me envolveu. Talvez o romance não tenha sido tão bom por se tratar do universo masculino. Há autores que conseguem compreender o sexo oposto e retratá-lo muito bem, mas não é o caso de Jacqueline Susann. Sua praia era destrinchar o coração feminino. 


Yargo é outro clássico. Um livro que considero especial. Trata-se da história de uma mulher abduzida e levada a um planeta com uma civilização socialmente avançada, que aprendeu a  reprimir os sentimentos e assim, se tornar um exemplo de sociedade. 
A história foi escrita na década de 50 e por isso há muitos absurdos em relação à alguns conhecimentos científicos. Pra se ter uma ideia, a terráquea viaja para Vênus e sobrevive sem uma máscara de oxigênio. 
Mas vejo esse livro mais como uma fábula, uma alegoria que fala do amor de modo piegas, mas muito tocante.
Toda noite Josephine e Dolores, seus outros dois livros,  que ainda não li, se tratam respectivamente da história de sua cachorrinha e da vida de uma primeira dama que vê sua vida virar do avesso ao ficar viúva. Dizem que foi inspirado na vida de Jackeline Kennedy Onassis.
Jacqueline Susan morreu em 1974, aos 54 anos, de câncer de mama.    
Rae Lawrence escreveu uma sequência ambientada nos anos 80.
 Não se sabe se foi baseado nos rascunhos que
Jacqueline escreveu em 1974.